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Transição energética no Brasil deve manter papel central do etanol

Estudo da USP aponta avanço tecnológico para reduzir fósseis

Professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) elaboraram um documento técnico que propõe diretrizes para reduzir a dependência de combustíveis fósseis no transporte brasileiro, com foco no aprimoramento dos motores automotivos e na ampliação do uso de biocombustíveis. As informações são da Agência USP.

O material foi encaminhado aos ministérios de Minas e Energia, Meio Ambiente e Mudança do Clima, Fazenda e à Casa Civil como contribuição ao debate sobre transição energética, tema que também ganha destaque nas discussões preparatórias para a COP30.

Segundo os pesquisadores, o Brasil apresenta posição favorável no cenário global por já contar com elevada participação de fontes renováveis em sua matriz energética. Atualmente cerca de metade da energia consumida no país tem origem renovável. No setor de transportes, a proporção é semelhante, impulsionada principalmente pelo uso de etanol e biodiesel.

Para o professor Guenther Krieger Filho, do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli, a estratégia brasileira deve priorizar tecnologias já consolidadas no país. Ele afirma que o etanol reúne características importantes como maturidade tecnológica, cadeia produtiva estruturada, parque industrial instalado e segurança de abastecimento.

“A nossa proposta é continuar com os combustíveis renováveis, como etanol e biodiesel, considerando não apenas a fonte de energia, mas toda a cadeia de suprimentos, a maturidade tecnológica, o parque industrial e a garantia de fornecimento”, afirma.

Segundo Krieger, além de manter sua relevância nos veículos leves, o biocombustível pode ampliar participação em segmentos hoje mais dependentes de diesel. Entre as possibilidades está a combinação de motores de combustão interna movidos a etanol com sistemas híbridos elétricos em veículos de transporte coletivo, carga e máquinas pesadas.

O estudo também analisa três categorias de veículos para orientar o desenvolvimento tecnológico. O primeiro grupo inclui automóveis de passeio, predominantemente flex. O segundo envolve veículos comerciais urbanos como ônibus e caminhões leves e médios. O terceiro reúne equipamentos pesados utilizados em transporte rodoviário, mineração e atividades agrícolas.

De acordo com o professor Antonio Laganá, metade da energia utilizada atualmente nos automóveis de passeio provém da gasolina e a outra metade do etanol. A produção do biocombustível ocupa cerca de 8,8 milhões de hectares no país. Com ganhos de eficiência nos motores, a substituição total da gasolina poderia ocorrer com expansão estimada em cerca de 7 milhões de hectares adicionais.

No caso do diesel, o estudo considera um cenário em que metade do consumo seria substituída por etanol e a outra metade por biodiesel. Para atender essa demanda, seriam necessários aproximadamente 45 bilhões de litros de etanol por ano. A produção atual gira em torno de 38 bilhões de litros.

Os pesquisadores também defendem a continuidade de programas de incentivo à inovação, como o Programa Mover, voltado ao desenvolvimento tecnológico no setor automotivo. Segundo Krieger, o apoio à pesquisa permite que universidades e empresas trabalhem conjuntamente na evolução dos motores de combustão interna e também em soluções elétricas.

Na avaliação dos professores, a transição energética brasileira deve combinar eletrificação com combustíveis renováveis, mantendo o etanol como um dos pilares da estratégia para reduzir emissões e diminuir a dependência de fontes fósseis.

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