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Geopolítica, comércio e energia marcam abertura da safra da DATAGRO

Painéis discutem etanol, açúcar, mercado global e novos usos de biocombustíveis

A instabilidade geopolítica e as mudanças no mercado internacional de energia colocaram os biocombustíveis novamente no centro das discussões estratégicas do setor sucroenergético. O tema foi destaque na abertura da 10ª edição da DATAGRO Abertura de Safra Cana Açúcar e Etanol, realizada nesta quarta-feira (11), em Ribeirão Preto – SP, que reúne executivos, produtores e especialistas para debater as perspectivas da safra 2026/27 da região Centro-Sul. O evento se encerra nesta quinta-feira (12).

Na cerimônia de abertura, o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, afirmou que o atual cenário internacional reforça a importância do etanol para a segurança energética. Segundo ele, conflitos regionais e tensões no mercado de petróleo ampliam a volatilidade nos preços de energia e podem afetar cadeias produtivas estratégicas. “O momento atual traz insegurança em relação ao abastecimento mundial de petróleo e derivados, com impacto também na cadeia de fertilizantes nitrogenados”, afirmou.

Nastari destacou que o etanol tem ampliado sua relevância na matriz energética brasileira. Nos últimos cinco anos, a produção nacional do biocombustível, considerando cana e milho, cresceu cerca de 10 bilhões de litros. Desde a criação do programa brasileiro de biocombustíveis na década de 1970, o etanol já substituiu aproximadamente um terço do equivalente às reservas de petróleo consumidas no país.

No mercado de açúcar, o executivo observou que o novo ciclo começa com cotações internacionais pressionadas. A produção brasileira do adoçante tem se mantido próxima de 40 milhões de toneladas nos últimos três anos, o que indica que a atual tendência de preços não está associada a um aumento recente da oferta nacional.

Durante a abertura, o deputado federal Arnaldo Jardim afirmou que a capacidade do Brasil de produzir alimentos e energia renovável simultaneamente fortalece o papel do agronegócio no cenário internacional. Na avaliação do parlamentar, a instabilidade no mercado global de petróleo reforça a necessidade de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética.

Jardim defendeu o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina e de biodiesel no diesel. A posição foi apoiada pelo presidente da Siamig Bioenergia e da Bioenergia Brasil, Mário Campos Filho, que afirmou que o setor trabalha para acelerar a ampliação desses percentuais. O parlamentar também destacou o potencial do etanol como rota tecnológica para combustíveis sustentáveis de aviação e outras aplicações ligadas à descarbonização do transporte.

Comércio global de açúcar e mudanças no mercado

Os debates do primeiro dia também analisaram o cenário internacional do açúcar. Em painel com representantes de tradings e analistas do mercado, especialistas discutiram os impactos de mudanças regulatórias, barreiras comerciais e transformações na produção mundial.

Entre os fatores avaliados está o avanço do programa de etanol da Índia. O aumento da mistura do biocombustível no combustível do país asiático pode reduzir o volume de açúcar destinado ao mercado internacional e alterar o equilíbrio global entre oferta e demanda.

Outro ponto debatido foi a perspectiva para a Tailândia, importante exportador mundial. A expectativa de uma safra menor no país pode limitar a pressão sobre os preços internacionais, embora o mercado ainda enfrente volatilidade decorrente de fatores climáticos e comerciais.

Especialistas também discutiram o impacto de tarifas comerciais e mudanças regulatórias, especialmente na América do Norte, que têm levado exportadores a buscar novos mercados e estratégias para manter competitividade.

Transporte marítimo entra no radar dos biocombustíveis

Outro tema que ganhou destaque foi a possibilidade de expansão do uso de biocombustíveis no transporte marítimo. Em painel dedicado ao assunto, especialistas discutiram os avanços tecnológicos e regulatórios que podem abrir novas frentes de demanda para combustíveis renováveis.

Representantes da indústria e de organismos internacionais destacaram que a Organização Marítima Internacional vem estabelecendo metas para reduzir as emissões do setor naval, com estratégias que incluem padrões mais rígidos de eficiência energética e metas de descarbonização até 2050.

Nesse contexto, o etanol e outros biocombustíveis surgem como alternativas para reduzir a intensidade de carbono no transporte marítimo. O setor possui elevado consumo energético e pode representar um mercado relevante para produtores de combustíveis renováveis, desde que sejam atendidos requisitos de certificação e disponibilidade de oferta.

Empresas do setor de navegação e tecnologia também ressaltaram que novas embarcações já começam a ser projetadas para operar com diferentes combustíveis. Motores modulares capazes de utilizar diversas rotas energéticas fazem parte das estratégias da indústria para atender às futuras exigências ambientais.

Além do etanol convencional, especialistas apontaram que combustíveis sintéticos, como e-etanol e e-metanol, também estão em desenvolvimento e podem integrar o conjunto de soluções voltadas à descarbonização do transporte marítimo nas próximas décadas.

Acordo UE Mercosul e mercado europeu

O primeiro dia do evento também abordou os possíveis impactos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia para o setor açucareiro. O tratado, concluído após quase três décadas de negociações, prevê a criação de uma área de livre comércio que reúne cerca de 720 milhões de consumidores.

No caso do açúcar, o acordo estabelece uma cota anual de 180 mil toneladas que poderá ser exportada pelo Mercosul para o bloco europeu com tarifa zero. Para volumes acima desse limite, permanecem as tarifas integrais aplicadas pela União Europeia, o que mantém o mercado europeu fortemente protegido, especialmente em relação à produção de beterraba.

Especialistas ressaltaram que o acordo representa avanço institucional nas relações comerciais entre os blocos, mas observaram que o acesso efetivo ao mercado europeu continuará limitado pelas cotas e pelas tarifas aplicadas fora desse volume. O tema foi discutido juntamente com perspectivas para a safra de beterraba na Europa e seus possíveis reflexos sobre o mercado internacional de açúcar.

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