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Cana mira 150 t ha e reforça agenda tecnológica no campo

Painel no Cana Summit reúne pesquisa, irrigação e inovação

A busca por maior competitividade da cana-de-açúcar frente ao etanol de milho passa por um salto consistente de produtividade e pela adoção de tecnologias no campo. O tema foi debatido no painel “O Produtor em Evolução”, durante o Cana Summit 2026, realizado nos dias 15 e 16 de abril, em Ribeirão Preto – SP, com a participação de especialistas de instituições de pesquisa, universidades e empresas do setor.

A meta técnica apresentada aponta para patamares de até 150 toneladas por hectare e produção próxima de 10 mil litros de etanol por hectare. Segundo Marcos Landell, do Instituto Agronômico de Campinas, o setor precisa avançar dos atuais 110 a 120 toneladas por hectare para um intervalo de 140 a 150 toneladas já no primeiro corte. “Esse é o nível que nos tira da linha de tiro do etanol de milho”, afirmou.

A estratégia envolve ganhos no primeiro ciclo produtivo e maior estabilidade ao longo dos cortes seguintes. Variedades mais recentes desenvolvidas por programas como IAC, RIDESA e CTC já apresentam avanços de 15% a 20% frente a materiais tradicionais, enquanto o manejo agrícola e o calendário de plantio seguem como fatores críticos para o desempenho do canavial.

Irrigação e clima pressionam decisões no campo

A variabilidade climática e o aumento dos períodos de estiagem reforçam a necessidade de investimento em irrigação e planejamento hídrico. Segundo Fernando Braz Tangerino Hernandez, da UNESP, o produtor enfrenta uma dinâmica de custos crescentes que exige ganhos contínuos de eficiência.

A irrigação plena, embora demande investimento entre 6,6 e 7 toneladas por hectare e depreciação estimada em 20%, pode elevar a produtividade em até 10 toneladas por hectare. O modelo tende a substituir a irrigação de salvação, considerada limitada em ganho produtivo.

Além do clima, o custo da não irrigação também entra na conta. Diferenças entre produtividades esperadas e realizadas podem representar perdas diretas de até 20 toneladas por hectare, afetando a rentabilidade e reforçando a necessidade de planejamento.

Base produtiva, genética e inovação

A qualidade das mudas e a capacitação da mão de obra também foram apontadas como gargalos. Hermann Hoffmann, da RIDESA, destacou que falhas na origem do material e na formação das equipes comprometem o potencial produtivo desde o início do ciclo.

No campo da inovação, Luiz Antônio Dias Paes, do Centro de Tecnologia Canavieira, apresentou avanços na produção de sementes e mecanização do plantio, com expectativa de ampliar a eficiência operacional e reduzir a dependência de mudas comerciais.

Já Alexandre Alonso, da Embrapa Agroenergia, ressaltou o papel dos bioinsumos na redução de custos e da dependência externa de fertilizantes, além do impacto positivo na sustentabilidade e na pegada de carbono do setor.

A avaliação conjunta dos participantes é que o aumento da produtividade, aliado à adoção de tecnologia e à melhoria da base produtiva, será determinante para sustentar a competitividade da cana-de-açúcar em um cenário de maior pressão de custos e mudanças no mercado energético.

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