Conab projeta safra de cana em 673,2 mi t no Brasil
Queda de 0,5% reflete clima, mas etanol e açúcar seguem elevados
A produção de cana-de-açúcar no Brasil está estimada em 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, recuo de 0,5% em relação ao ciclo anterior, segundo o 4º Levantamento divulgado na última sexta-feira (17) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com menor moagem, o volume representa a terceira maior safra da série histórica.
O resultado ocorre em um cenário de pressão climática sobre a produtividade, com impacto direto sobre o desenvolvimento das lavouras no Centro-Sul. Ainda assim, o setor mantém níveis elevados de produção industrial, com destaque para o etanol e o açúcar, impulsionados por ajustes no mix e pelo avanço do biocombustível de milho.
A produção total de etanol, somando cana-de-açúcar e milho, está estimada em 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8%. O etanol de milho deve atingir 10,17 bilhões de litros, crescimento de 29,8% e participação superior a 27% do total. Já o etanol de cana está projetado em 27,33 bilhões de litros, queda de 6,9%.
No açúcar, a produção deve alcançar 44,2 milhões de toneladas, leve alta de 0,1%, configurando a segunda maior marca da série histórica. O resultado reflete maior direcionamento da cana para o adoçante, mesmo com menor disponibilidade de matéria-prima.
Produtividade recua e área cresce na safra
A produtividade média nacional caiu 2,6%, para 75.184 quilos por hectare, influenciada por estiagem, altas temperaturas e incêndios registrados após a colheita de 2024. A área colhida, por outro lado, cresceu 2,1%, totalizando 8,95 milhões de hectares, o que ajudou a compensar parte das perdas.
No Sudeste, principal região produtora, a safra é estimada em 430,1 milhões de toneladas, queda de 2,2%. No Centro-Oeste, a produção cresce 3,4%, para 150,2 milhões de toneladas, com expansão da área de 1,85 milhão para 1,96 milhão de hectares, apesar da redução de 2,2% na produtividade.
No Sul, a produção atinge 36 milhões de toneladas, alta de 1,9%, favorecida pela recuperação da produtividade. Já no Nordeste, a safra soma 53,3 milhões de toneladas, queda de 2%, com produtividade média de 59.860 quilos por hectare, recuo de 1,2%.
No Norte, a produção é estimada em 3,8 milhões de toneladas, redução de 7,1%, mesmo com aumento de área, refletindo condições climáticas mais restritivas.
Mercado e implicações para o produtor
Na avaliação da Conab, o maior direcionamento da cana para o açúcar contribuiu para sustentar a oferta do produto, enquanto a retração do etanol de cana foi compensada pelo avanço do etanol de milho.
Para o produtor, o cenário reforça a importância da gestão de custos e da eficiência agrícola diante de oscilações climáticas e produtivas. A redução da produtividade, especialmente no Centro-Sul, evidencia a necessidade de atenção ao manejo e à resiliência das lavouras.
No curto prazo, a transição entre safras tende a manter o mercado de etanol sustentado, sobretudo no segmento anidro. No açúcar, o aumento da oferta global limita altas mais expressivas, embora prêmios de exportação e incertezas externas ainda possam influenciar os preços.
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