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Safra 2026/27 pode superar 630 mi t e pressionar preços

Mix mais alcooleiro e ATR menor marcam início do ciclo

A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul deve atingir cerca de 630 milhões de toneladas, com possibilidade de revisão para cima ao longo do ciclo. A estimativa foi apresentada por João Rosa Botão, sócio-diretor da Pecege Consultoria e Projetos, que abriu o painel “Panorama da Produção de Cana – Escala, Produção e Origem”, durante o Cana Summit 2026, realizado nos dias 15 e 16 de abril, em Ribeirão Preto – SP.

Segundo o consultor, os números iniciais podem estar subestimados diante das condições observadas no campo. “Eu acho que nós vamos errar. A gente roda pelas regiões, começamos a receber algumas informações das empresas que estão aí já iniciando o processamento e os números, felizmente, mostram que tem muita cana no campo”, afirmou.

O cenário também aponta para mudança na destinação da matéria-prima, com maior direcionamento para o etanol em relação às safras anteriores, refletindo as condições de mercado e a competitividade do biocombustível. A participação do etanol é estimada em 51,63%, enquanto o açúcar deve recuar para 48,37%.

Com isso, a produção de açúcar deve alcançar 40,3 milhões de toneladas, enquanto o volume total de etanol é projetado em 37,03 bilhões de litros. A oferta também será ampliada pelo etanol de milho, cuja produção está estimada em 10,53 bilhões de litros na safra 2026/27, com crescimento de 15,22%, ampliando a concorrência no mercado interno.

No início da safra, levantamentos já indicam um perfil mais alcooleiro, com o mix de etanol atingindo 70,89% nas primeiras semanas do ciclo. Ao mesmo tempo, o ATR apresenta níveis abaixo do registrado na última safra, influenciado pelo regime de chuvas, que favorece o volume de cana, mas reduz a concentração de açúcares por tonelada.

Tecnologia e sucessão moldam perfil do produtor

No mesmo painel, Almir Torcato, diretor executivo da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), destacou que o avanço da tecnologia e o processo sucessório estão redesenhando o perfil do produtor no Centro-Sul, com impacto direto sobre acesso à inovação, estrutura de custos e organização produtiva.

Segundo ele, pequenos e médios produtores tendem a operar com menor alavancagem financeira, o que pode favorecer a gestão de margens em cenários de maior volatilidade. A reorganização das propriedades ao longo das últimas décadas, acrescentou, está diretamente ligada à sucessão familiar.

“Muitas vezes, o que parece redução do número de produtores é, na prática, uma reorganização dentro da própria família”, afirmou. Nesse contexto, áreas antes divididas por titularidade passam a ser operadas de forma integrada, gerando ganho de escala sem alteração do controle.

No campo tecnológico, o desafio não está apenas no acesso, mas na tomada de decisão. “Existe tecnologia essencial e tecnologia de perfumaria. O papel das associações e cooperativas é ajudar o produtor a distinguir isso”, disse.

Preços e custos pressionam a safra

No campo de preços, a expectativa para o indicador do Consecana-SP na safra 2026/27 gira entre R$ 1,00 e R$ 1,05 por quilo de ATR, com cenários mais otimistas chegando a R$ 1,12 ou R$ 1,13. A formação desses valores considera diferentes premissas de mercado, incluindo a paridade com combustíveis.

Em um cenário com gasolina a R$ 6,54 por litro e paridade do etanol em 65%, o hidratado seria equivalente a R$ 4,28 na bomba e cerca de R$ 2,71 ao produtor. Já em um ambiente de paridade internacional, com gasolina estimada em R$ 7,50, o etanol poderia alcançar R$ 4,99, elevando o valor ao produtor para cerca de R$ 3,50.

A formação de preços segue condicionada a variáveis como política de combustíveis, mercado internacional e oferta global de açúcar, negociado recentemente próximo de 13,54 centavos de dólar por libra-peso.

Os custos de produção seguem pressionados, com destaque para o diesel. Em média, são consumidos de 3 a 4 litros por tonelada de cana, ou cerca de 250 litros por hectare. A cada aumento de R$ 1 por litro, o custo sobe aproximadamente R$ 250 por hectare.

No debate, executivos de cooperativas também apontaram mudanças na dinâmica produtiva diante do crédito mais caro. Segundo Matheus Marino, da Coopercitrus, produtores de maior escala ampliaram participação na produção total, enquanto pequenos e médios mantêm postura mais conservadora.

Já João Paulo Felix, da Coplacana, destacou que o cenário exige soluções individualizadas, com reorganização financeira e apoio técnico. Waldomiro Teixeira, da CAMDA, chamou atenção para o impacto dos juros elevados, enquanto Bruno Rangel, da Coplana, classificou o momento como uma “tempestade perfeita”, com pressão simultânea de custos, crédito e preços.

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