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ISO vê superávit global de açúcar e alerta para risco climático

Relatório divulgado nesta segunda-feira (18) projeta produção recorde

A Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) revisou para cima sua estimativa para o balanço global de açúcar e passou a projetar superávit mundial de 2,244 milhões de toneladas na safra global 2025/26, ciclo internacional do açúcar que compreende o período entre outubro de 2025 e setembro de 2026. O relatório Quarterly Market Outlook foi divulgado nesta segunda-feira (18).

Segundo a ISO, a produção global de açúcar deverá atingir recorde de 182,004 milhões de toneladas na temporada mundial 2025/26, avanço de 6,130 milhões de toneladas sobre o ciclo anterior. O crescimento é atribuído principalmente ao aumento da produção em países como Paquistão, Tailândia e Índia, embora o avanço indiano tenha ficado abaixo das projeções iniciais.

O consumo mundial foi estimado em 179,760 milhões de toneladas, alta de 0,39% sobre 2024/25. Já o déficit global da temporada anterior foi revisado de 3,464 milhões para 3,196 milhões de toneladas após reconciliação estatística e validação dos dados pelos países membros da ISO.

Os estoques finais globais foram projetados em 79,360 milhões de toneladas em 2025/26, acima dos 78,896 milhões registrados em 2024/25. A relação estoque/consumo ficou em 44,15%, ligeiramente superior aos 44,06% da temporada anterior, considerada a mais baixa em 16 anos pela metodologia revisada da organização.

Brasil reduz exportações e amplia mix para etanol

O relatório mostra redução na disponibilidade exportável mundial de açúcar. As exportações globais foram estimadas em 64,234 milhões de toneladas, queda de 0,90% em relação ao ciclo anterior, enquanto a demanda global de importação foi projetada em 63,334 milhões de toneladas. O superávit comercial calculado pela ISO é de 900 mil toneladas.

O Brasil segue como principal exportador mundial de açúcar. Para a temporada global 2025/26, a ISO projeta produção brasileira de 41,883 milhões de toneladas e exportações de 32 milhões de toneladas, abaixo dos 33,348 milhões embarcados na temporada anterior. O consumo interno brasileiro foi estimado em 10,5 milhões de toneladas.

A Tailândia deverá produzir 11,997 milhões de toneladas e exportar 8,5 milhões de toneladas, enquanto a Índia foi projetada com produção de 27,8 milhões de toneladas, consumo de 28 milhões e exportações de 3,3 milhões de toneladas.

A China continuará como grande importadora global, com compras estimadas em 5,8 milhões de toneladas, enquanto a Indonésia deverá importar 4,9 milhões de toneladas.

Segundo a ISO, a queda dos preços internacionais do açúcar desde o fim de 2025 passou a favorecer maior direcionamento da cana ao etanol na safra 2026/27 do Centro-Sul brasileiro.

Petróleo e fertilizantes elevam pressão no mercado

A organização destacou também que o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por forte reprecificação dos mercados de energia e fertilizantes após o agravamento do conflito no Golfo Pérsico e a paralisação quase total do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

O petróleo Brent registrou média de US$ 102,81 por barril em abril, ante níveis próximos de US$ 70 no início do ano. Já a ureia granulada FOB Oriente Médio subiu 54% em março, atingindo cerca de US$ 725 por tonelada, maior patamar desde abril de 2022.

A ISO informou que os custos mais elevados de energia e fertilizantes também pressionaram os mercados agrícolas. O milho atingiu média de US$ 4,52 por bushel, sustentado tanto pelos custos de produção quanto pela maior demanda de etanol.

A organização avalia que o cenário de preços do açúcar para os próximos três meses permanece neutro, mas ressalta que estoques preventivos e preocupações com redução no uso de fertilizantes podem sustentar o mercado.

Etanol avança e mistura maior ganha força

A produção mundial de etanol combustível foi estimada em 123,1 bilhões de litros em 2025, alta de 3,3% sobre 2024. Para 2026, a projeção é de crescimento para 129,4 bilhões de litros, enquanto o consumo global deverá atingir 126,9 bilhões de litros.

No Brasil, a produção de etanol deve avançar de 33,2 bilhões para 36,5 bilhões de litros entre 2025 e 2026. Segundo a ISO, o movimento ocorre devido ao aumento da competitividade do biocombustível frente ao açúcar no Centro-Sul.

A Índia deverá elevar sua produção para 12 bilhões de litros em 2026, alinhada à expansão do E20. Já os Estados Unidos devem atingir recorde de 63,6 bilhões de litros, favorecidos pelo crédito fiscal Section 45Z e pelo custo competitivo do milho.

O relatório destaca ainda que vários países ampliaram programas de mistura obrigatória de biocombustíveis após o agravamento das tensões geopolíticas. Brasil, Índia e União Europeia avaliam novos avanços para misturas E32, E25 e E20, respectivamente.

El Niño entra no radar para 2026/27

A ISO informou que sua primeira visão para a temporada global 2026/27 aponta déficit de 262 mil toneladas, com queda próxima de 2 milhões de toneladas na produção mundial de açúcar e aumento do risco climático relacionado ao El Niño.

No mercado de melaço, a entidade destacou que a produção global deverá atingir 51,1 milhões de toneladas em 2025/26, excluindo o Brasil, maior volume em sete temporadas.

Os preços do melaço de cana seguem sustentados pela demanda da indústria de fermentação e etanol, enquanto o melaço de beterraba permanece pressionado pelo excesso de oferta e pela perspectiva de menor produção europeia.

A ISO ressaltou ainda que os fluxos globais de comércio foram alterados pelas restrições logísticas no Golfo Pérsico, pela retirada da taxa de exportação da Índia e pela proibição de importações nas Filipinas.

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