Fertilizantes e geopolítica elevam alerta para açúcar e etanol
Boletim da StoneX aponta pressão de custos, clima e energia no 2º trimestre
As tensões geopolíticas no Oriente Médio, a volatilidade nos mercados de energia e o avanço dos custos com fertilizantes devem ampliar a pressão sobre o agronegócio global no segundo trimestre de 2026. A avaliação consta no Boletim de Perspectivas para 2026, referente ao período de abril a junho, divulgado pela StoneX, que destaca reflexos diretos sobre os mercados de açúcar, etanol, grãos e insumos agrícolas.
Segundo a consultoria, o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel trouxe novos riscos para a logística global de fertilizantes e energia, afetando cadeias estratégicas de suprimento. O relatório aponta que o Golfo Pérsico, considerado um dos principais polos mundiais de exportação de fertilizantes, enfrenta interrupções que elevam os custos logísticos e reduzem a oferta internacional.
A StoneX destaca que o segundo trimestre normalmente representa uma janela mais favorável para compras de fertilizantes por parte de países como Brasil e Índia, devido à sazonalidade mais moderada da demanda. Em 2026, porém, esse movimento perdeu força diante da alta dos preços e das incertezas geopolíticas.
A consultoria alerta que as relações de troca seguem nos piores patamares dos últimos anos, o que aumenta a pressão sobre as margens dos produtores. O cenário pode provocar redução nas aplicações de fertilizantes, menor produtividade e compressão da rentabilidade agrícola, principalmente em culturas de maior demanda nutricional.
No caso brasileiro, a preocupação ganha relevância em meio ao planejamento da safra 2026/27 e aos custos da produção de cana-de-açúcar, milho e soja. O relatório ressalta que produtores dependentes de fertilizantes importados seguem expostos às oscilações do mercado internacional, especialmente diante da forte dependência de insumos vindos da China, Rússia e Oriente Médio.
Outro ponto de atenção envolve o comportamento dos preços da energia. Segundo a StoneX, o componente geopolítico continuará sendo o principal fator de volatilidade nos mercados energéticos nos próximos meses, afetando petróleo, gás natural e derivados. Esse movimento influencia diretamente os custos industriais e logísticos do setor sucroenergético, além da competitividade do etanol.
China amplia influência sobre commodities e fertilizantes
O boletim também aponta mudanças relevantes na dinâmica comercial envolvendo China, Estados Unidos e Brasil. A StoneX observa que o comércio global de soja voltou a se concentrar no mercado brasileiro após o adiamento de negociações entre chineses e norte-americanos.
Com isso, o Brasil ampliou sua participação nas exportações para a China, enquanto os embarques dos Estados Unidos seguem abaixo dos volumes registrados no ano anterior. A consultoria afirma que os baixos estoques domésticos chineses e a recomposição da cadeia de suprimentos ajudam a sustentar a demanda por commodities agrícolas.
Ao mesmo tempo, a StoneX destaca que a alta dos fertilizantes passou a funcionar como um fator de sustentação para os preços internacionais dos grãos. Segundo o relatório, a China conseguiu reduzir parte dos impactos externos ao liberar estoques estratégicos de fertilizantes antes do plantio da safra de primavera.
Ainda assim, a consultoria alerta que um eventual choque mais forte nos preços da energia pode comprometer o consumo global e enfraquecer a demanda final por commodities e biocombustíveis.
Clima segue como variável decisiva para o setor
Além da geopolítica e dos custos de produção, o clima permanece como um dos principais fatores de risco para o agronegócio global em 2026. A StoneX avalia que os efeitos combinados de clima adverso, energia cara e fertilizantes elevados aumentam a incerteza sobre produtividade e oferta agrícola nos próximos meses.
Para o setor sucroenergético, o cenário reforça a necessidade de gestão mais eficiente dos custos e maior atenção ao desenvolvimento dos canaviais no Centro-Sul durante a safra 2026/27. A consultoria destaca que margens apertadas e volatilidade elevada devem continuar marcando o ambiente de negócios ao longo do trimestre.
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