São Paulo planeja primeira usina de carbono para etanol de cana
Projeto de R$ 30 milhões vai avaliar captura de CO₂ no setor
O Estado de São Paulo iniciou os estudos para implantar a primeira usina do país dedicada à captura e ao armazenamento de dióxido de carbono (CO₂) gerado na produção de etanol de cana-de-açúcar. O anúncio foi feito durante as comemorações da Semana do Meio Ambiente, com a assinatura do termo de criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio).
O novo centro será sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e contará com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A iniciativa reúne ainda a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Petrobras, o Grupo São Martinho e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados.
A proposta é avaliar a aplicação da tecnologia conhecida como BECCS, sigla em inglês para Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono. O processo prevê a retenção do CO₂ liberado durante a fermentação do etanol e sua injeção em formações geológicas profundas, evitando que o gás retorne à atmosfera. Na prática, a tecnologia pode transformar o etanol em um combustível com emissões líquidas negativas.
A tecnologia de captura de carbono já é utilizada em outros segmentos, mas sua aplicação em larga escala no setor sucroenergético ainda depende da definição de modelos econômicos que viabilizem os investimentos. Entre as alternativas em avaliação estão os mercados de carbono, mecanismos de compensação ambiental e incentivos regulatórios.
Estudos vão mapear áreas aptas
O centro terá atuação multidisciplinar, reunindo especialistas em engenharia, geologia, economia, direito e psicologia. Uma das prioridades será identificar regiões com potencial para receber a futura unidade, considerando fatores como proximidade das usinas, infraestrutura logística, custos operacionais, impactos ambientais e aceitação social.
Os pesquisadores também irão avaliar a existência de reservatórios salinos profundos adequados para armazenar o CO₂ de forma segura. Essas estruturas são formadas por rochas porosas preenchidas por água altamente salina, sem utilidade para abastecimento humano, e podem funcionar como depósitos permanentes para o carbono capturado.
Projeto terá duas etapas
Com duração prevista de cinco anos e investimento estimado em R$ 30 milhões, o projeto será desenvolvido em duas fases. Nos primeiros dois anos, a equipe irá mapear o potencial paulista para adoção da tecnologia e selecionar áreas prioritárias para instalação da unidade.
A etapa seguinte prevê a construção e operação da planta, consolidando um modelo que poderá ser replicado em outras regiões produtoras de etanol. O governador Tarcísio de Freitas destacou durante o lançamento a importância da pesquisa científica para ampliar a competitividade e a sustentabilidade da agroindústria paulista.
Atualmente, o Brasil possui apenas uma unidade de captura e armazenamento de carbono associada à produção de etanol de milho, localizada em Mato Grosso. A iniciativa paulista será a primeira voltada ao etanol produzido a partir da cana-de-açúcar, principal matéria-prima da indústria nacional de biocombustíveis.
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