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Açúcar ganha sustentação em Nova York enquanto etanol mantém firmeza

Mercado acompanha clima na Índia, preços estáveis do etanol e demanda

O mercado de açúcar segue em compasso de espera, mas com viés positivo nas bolsas internacionais. O contrato outubro/2026, negociado em Nova York, encerrou a terça-feira (21) cotado a 14,88 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,40%, sustentado pela média móvel de 50 dias e pelas incertezas sobre o clima na Índia. No mercado doméstico, o etanol manteve preços firmes, mesmo diante da pressão das distribuidoras por valores menores.

Segundo análise da Safras & Mercado, a combinação entre fundamentos relativamente estáveis e a ausência de novos fatores de impacto imediato tem mantido o açúcar em um movimento lateral. A resistência dos preços acima da faixa de 14,75 centavos de dólar por libra-peso é vista como um suporte importante e pode abrir espaço para novas altas caso ocorram mudanças no cenário climático ou na oferta global.

O principal fator de atenção continua sendo a Índia. Dados do Departamento de Climatologia do país mostram que, até 20 de julho, o acumulado de chuvas estava 23% abaixo da média dos últimos 50 anos. Embora esse déficit seja menor que o registrado no início da temporada de monções, quando atingia 42%, o mercado ainda diverge sobre seus efeitos na safra 2026/27. Para parte dos analistas, a melhora reduz os riscos; para outros, o volume de precipitações ainda é insuficiente para afastar preocupações com a produção futura.

Outro ponto acompanhado pelos agentes é a política indiana para biocombustíveis. O governo informou que não pretende elevar a mistura obrigatória de etanol à gasolina além dos atuais 20%. Ao mesmo tempo, a Indian Sugar Mills Association (ISMA) defende autorização para exportar 500 mil toneladas de açúcar e destinar outras 500 mil toneladas para a produção de etanol, proposta que ainda depende de aprovação oficial.

Mercado interno mantém diferença favorável ao açúcar

No mercado físico, o açúcar cristal em Ribeirão Preto – SP apresentou queda de 1,12%, sendo negociado a R$ 88,00 por saca de 50 quilos. Mesmo assim, o açúcar continua mais rentável que o etanol hidratado, que permaneceu cerca de 3,4% menos vantajoso em relação ao açúcar bruto negociado em Nova York e 4,3% abaixo do cristal paulista, segundo os cálculos de equivalência da consultoria.

O indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal posto usina também recuou 1,19%, para R$ 91,13 por saca, enquanto o contrato outubro/2026 em Nova York fechou a 14,88 centavos de dólar por libra-peso.

Etanol permanece estável à espera de reação da demanda

No mercado físico de etanol, os preços permaneceram firmes, embora os negócios tenham registrado volume moderado. A oferta continua avançando com a evolução da safra, enquanto distribuidoras seguem pressionando por preços menores até o pico da moagem, esperado entre o fim de julho e a primeira quinzena de agosto.

Em Ribeirão Preto, o etanol hidratado permaneceu estável em R$ 2,69 por litro, com usinas ofertando até R$ 2,70 e distribuidoras tentando comprar a R$ 2,68. O anidro em São Paulo também permaneceu em R$ 2,68 por litro. Em outras regiões produtoras, como Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paulínia, as cotações igualmente apresentaram estabilidade. A expectativa da consultoria é que a recuperação da competitividade do etanol nas bombas possa estimular o consumo nas próximas semanas, favorecendo um reaquecimento gradual do mercado à medida que a oferta diminua após o pico da safra. No açúcar, a permanência das incertezas climáticas na Índia e a manutenção dos preços acima dos principais níveis de suporte seguem como os fatores que podem determinar a direção das cotações no curto e médio prazo.

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