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Seguro rural ganha centralidade no financiamento do agro

Debate em Brasília aponta integração com crédito como prioridade

Em meio ao aumento dos riscos climáticos e à mudança nas fontes de financiamento, o seguro rural passou a ocupar posição estratégica na agenda do agronegócio brasileiro. O tema foi discutido no dia 8 de abril, em Brasília, durante o “Diálogo Setorial Seguros, Crédito e Agronegócio”, que reuniu representantes do governo, Congresso, mercado financeiro e entidades do setor.

Na avaliação dos participantes, o modelo atual de financiamento ainda concentra esforços no crédito e deixa a proteção em segundo plano, o que amplia custos e fragiliza o sistema. O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, afirmou que a lógica vigente contribui para um ciclo de endividamento. “O produtor perde uma safra e a solução é renegociar dívidas, o que encarece o crédito e perpetua o problema”, disse.

Dados apresentados pela entidade mostram que a arrecadação do seguro rural somou R$ 12,9 bilhões em 2025, queda de 8,8% na comparação anual. Para 2026, a projeção é de retração adicional de 3,9%, reflexo principalmente da limitação de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Mudança no modelo e pressão de risco

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Ingo Ploger, classificou o cenário atual como uma “tempestade quase perfeita”, marcada por pressões climáticas, logísticas e geopolíticas, além de um ambiente doméstico de crédito mais restrito. Segundo ele, o país precisa desenvolver instrumentos adaptados à realidade da agricultura tropical. “A parceria com o setor de seguros é fundamental para pensar o futuro, não apenas reagir ao presente”, afirmou.

Plöger também destacou o potencial de expansão do mercado de resseguros. Segundo ele, o uso de parte das reservas internacionais brasileiras, hoje em torno de US$ 350 bilhões, poderia ampliar a capacidade do sistema e aumentar a segurança do setor.

No mesmo sentido, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Tadeu Silva, ressaltou a transformação no funding do agro, com maior participação de instrumentos privados e do mercado de capitais. “Sem seguro adequado, o risco não desaparece, apenas se redistribui”, afirmou.

Seguro como pilar da política agrícola

A senadora Tereza Cristina defendeu a centralidade do seguro rural na política agrícola. “Se resolvermos o seguro, começamos a resolver o crédito”, disse. Para ela, o modelo atual, baseado em negociações anuais do Plano Safra, não acompanha a complexidade da atividade agropecuária, cada vez mais exposta a eventos extremos.

Segundo dados apresentados no evento, a área agrícola segurada no país caiu de cerca de 13,7 milhões de hectares para pouco mais de 3 milhões em 2025, o equivalente a 3,3% da área plantada. A redução da cobertura ocorre em um cenário de perdas climáticas estimadas em cerca de R$ 60 bilhões anuais.

Entre as propostas discutidas estão a criação de fundos de catástrofe, a ampliação do orçamento do PSR e o desenvolvimento de modelos de resseguro mais robustos, com maior participação do setor público.

O encontro, realizado na sede da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), foi organizado pela CNseg em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), e reforçou a convergência entre os agentes do setor sobre a necessidade de integrar crédito, seguro e inovação na estrutura de financiamento do agro.

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