Nanotecnologia avança e amplia eficiência agrícola em solos tropicais
Pesquisa abre novas perspectivas para a cana e a agricultura de precisão
Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) realizaram a primeira análise molecular detalhada sobre o comportamento de nanopartículas de cobre em solos tropicais brasileiros. O estudo mostrou que as características químicas de cada solo influenciam diretamente a ação dessas estruturas, abrindo novas perspectivas para aplicações em fertilizantes, defensivos e tecnologias voltadas à agricultura de precisão.
A partir dos resultados, os cientistas desenvolveram uma tecnologia inédita baseada em nanopartículas de cobre revestidas com matéria orgânica, capaz de aumentar a aderência às folhas e elevar a eficiência dos nanoagroquímicos. A inovação está em processo de patenteamento e deverá ser disponibilizada para parcerias com empresas.
Estudo inclui solo com biocarvão de bagaço de cana
A pesquisa avaliou diferentes tipos de solos tropicais, entre eles latossolos de São Paulo, terra preta da Amazônia e latossolos condicionados com biocarvão produzido a partir de bagaço de cana-de-açúcar. Os resultados indicam que a matéria orgânica presente em cada ambiente modifica a superfície das nanopartículas, alterando propriedades importantes para sua aplicação agrícola.
Segundo a pesquisadora Laís Fregolente, primeira autora do artigo, os avanços ajudam a compreender como os nanomateriais interagem com o solo e contribuem para o desenvolvimento de tecnologias mais adequadas às condições da agricultura tropical.
O pesquisador Diego Martinez, orientador do estudo, ressalta que se trata da primeira caracterização molecular detalhada da interação entre nanopartículas de cobre e solos tropicais. “O mesmo material vai se comportar de forma diferente nos solos de São Paulo e da Amazônia ou em solo condicionado com biocarvão, porque a matéria orgânica presente em cada ambiente modifica completamente a superfície e a reatividade dessas partículas”, afirma.
Aplicações no agro
Para investigar essas transformações, a equipe utilizou técnicas avançadas, como luz síncrotron, criomicroscopia eletrônica, análises hiperespectrais e espectrometria de massas de alta resolução. Os experimentos mostraram que, ao entrar em contato com a matéria orgânica do solo, as nanopartículas formam uma camada denominada “eco-corona molecular”, capaz de alterar sua mobilidade e toxicidade.
O trabalho reuniu pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais e recebeu apoio do Centro de Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol-CEPID/FAPESP) e do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT-NanoAgro). Entre as perspectivas apontadas pelo estudo está a ampliação do uso de nanomateriais em culturas de grande escala, como a cana-de-açúcar, com maior eficiência no uso de insumos e menor impacto ambiental.
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