ABAG aponta biocombustíveis como trunfo do agro brasileiro
Proteína animal, tecnologia e energia renovável ampliam competitividade
Em meio às transformações do comércio internacional e ao aumento das preocupações com a segurança alimentar e energética, o Brasil reúne condições para ampliar sua presença global apoiado na produção de alimentos, proteína animal, tecnologia e biocombustíveis. A avaliação é de Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, durante o Veja Fórum Agro 2026, realizado nesta segunda-feira (16), em São Paulo.
Segundo Plöger, o país se destaca por integrar diferentes cadeias produtivas e atender mercados com exigências variadas, característica que amplia sua competitividade em um cenário de mudanças geopolíticas e novas barreiras comerciais. Para ele, a diversidade produtiva e a capacidade de adaptação do agronegócio brasileiro são diferenciais estratégicos para conquistar novos mercados.
Tecnologia e expansão internacional
Durante o painel “Novas Oportunidades no Agro Brasileiro”, o executivo defendeu que o próximo passo estratégico do país passa pela internacionalização do conhecimento desenvolvido na agricultura tropical. A proposta envolve ampliar a cooperação tecnológica e levar a experiência brasileira para outras regiões, com destaque para a África, considerada uma área com elevado potencial produtivo e características compatíveis com as tecnologias desenvolvidas no Brasil.
Plöger afirmou que a inovação e a exportação de conhecimento devem ganhar relevância crescente nas próximas décadas, consolidando o país não apenas como fornecedor de commodities, mas também como referência em tecnologia agrícola e soluções adaptadas aos desafios da produção em clima tropical.
Biocombustíveis e alimentos em conjunto
Outro ponto destacado pelo presidente da ABAG foi a complementaridade entre a produção de alimentos e de combustíveis renováveis. Segundo ele, a experiência brasileira demonstra que as duas atividades podem avançar simultaneamente, ampliando a eficiência do sistema produtivo e agregando valor às cadeias agroindustriais.
“O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente”, afirmou Plöger ao defender a ampliação da produção de combustíveis de baixa emissão associada ao crescimento da oferta de alimentos.
Ao tratar das perspectivas para o setor, o executivo também ressaltou o impacto do agronegócio na geração de renda e no desenvolvimento regional. Segundo ele, boa parte da população brasileira vive em municípios de até 400 mil habitantes, muitos deles diretamente ligados às cadeias agroindustriais, o que reforça a importância econômica e social do setor para os próximos anos.
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