Etanol sobe com demanda aquecida e açúcar segue pressionado
Mercado reage a entraves na moagem, enquanto oferta sustenta queda do cristal
Os mercados de etanol e açúcar apresentaram movimentos distintos nos últimos dias no Centro-Sul do país. Enquanto os preços do etanol anidro e do hidratado avançaram pela segunda semana consecutiva no mercado paulista, as cotações do açúcar cristal branco seguiram em queda, refletindo o equilíbrio entre oferta, demanda e o ritmo da produção nas usinas.
Segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização do etanol está associada, principalmente, às chuvas registradas até a metade da semana passada, que dificultaram a moagem em algumas unidades produtoras. Com menor disponibilidade imediata, vendedores passaram a atuar com maior firmeza nas negociações, sustentando os preços no mercado spot.
Pelo lado da demanda, os volumes negociados de etanol hidratado cresceram nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, embora o volume comercializado tenha permanecido estável nas últimas duas semanas, as distribuidoras seguem atuando com cautela diante do cenário de elevada produção e de estoques superiores aos observados no mesmo período da safra anterior.
Expectativa pelo E32 movimenta mercado
No caso do etanol anidro, o volume de negócios no mercado spot permanece expressivo. Um dos fatores que tem sustentado esse movimento é a expectativa em torno da votação do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina para 32%, conhecida como E32, prevista para esta quarta-feira (24) no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A possibilidade de ampliação da demanda tem estimulado as negociações e reforçado o interesse dos agentes do setor.
Enquanto o etanol encontra sustentação nos fundamentos de mercado, o açúcar cristal branco mantém trajetória oposta. As cotações continuam em queda no mercado paulista em um ambiente de baixa liquidez, marcado pela postura mais retraída dos compradores e pela disponibilidade considerada suficiente para atender à demanda atual.
Produção menor não impede queda do açúcar
As chuvas recentes reduziram o ritmo da colheita da cana em algumas regiões produtoras, mas o efeito sobre os preços do açúcar foi limitado. De acordo com pesquisadores do Cepea, o volume disponível no mercado ainda é suficiente para manter a pressão baixista, especialmente diante do comportamento cauteloso dos compradores. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 25% na segunda quinzena de maio em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,19 milhões de toneladas. O resultado reflete tanto as chuvas acima da média em parte de São Paulo e de Mato Grosso do Sul quanto o maior direcionamento da cana para a fabricação de etanol, movimento que vem sendo acompanhado de perto pelos agentes do mercado nas primeiras semanas da safra 2026/27.
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