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Economia circular avança como política pública em São Paulo

Fórum reúne governo e empresas para acelerar soluções circulares

A economia circular vem ganhando espaço na estratégia ambiental e de desenvolvimento do Estado de São Paulo. Durante a segunda edição do Fórum de Economia Circular, realizada na São Paulo Climate Week, representantes do poder público, empresas, universidades e organizações da sociedade civil discutiram iniciativas para ampliar o reaproveitamento de materiais, estimular novos modelos de negócios e fortalecer políticas voltadas à gestão de resíduos.

Promovido pelo Movimento Circular em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o encontro abordou temas como logística reversa, mobilidade, inovação em materiais, educação ambiental e bioeconomia. A proposta foi apresentar experiências já em andamento e discutir mecanismos para acelerar a transição do modelo linear de produção para sistemas baseados na reutilização de recursos.

Na abertura do evento, o subsecretário de Saneamento e Recursos Hídricos da Semil, Cristiano Kenji Iwai, afirmou que a economia circular passou a integrar diferentes programas estaduais. Segundo ele, o Plano Estadual de Resíduos Sólidos busca transformar resíduos em recursos econômicos, enquanto o Programa Integra Resíduos trabalha a regionalização da gestão e a inserção dos municípios nesse novo modelo. Já o Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar incorpora ações voltadas à prevenção e à circularidade dos materiais.

O diretor executivo do Movimento Circular, Vinicius Saraceni, destacou que o tema já ultrapassou a etapa de conscientização e entrou na fase de implementação. Para ele, reunir iniciativas em funcionamento permite compartilhar experiências e construir propostas que possam fortalecer as discussões internacionais sobre economia circular e mudanças climáticas.

Casos práticos mostram potencial da circularidade

Além das discussões sobre políticas públicas, o fórum apresentou exemplos de empresas que transformaram a economia circular em oportunidade de negócios. Um dos destaques foi a Circular Autopeças, da Stellantis, primeiro centro de desmontagem veicular da empresa no Brasil, instalado em Osasco.

Segundo Adriano Barros, diretor de Assuntos Governamentais e Regulatórios da Stellantis na América do Sul, a unidade já desmontou cerca de mil veículos em um ano de operação, garantindo a destinação ambientalmente correta de todos os resíduos gerados. O executivo observou que o Brasil descarta aproximadamente dois milhões de veículos por ano, mas apenas 1,5% seguem para desmontagem formal. O restante permanece em desmanches irregulares, pátios públicos ou acaba abandonado.

Outro modelo apresentado foi o da startup Octa, especializada na destinação de frotas corporativas. De acordo com o fundador e CEO Arthur Rufino, a empresa conecta grandes frotistas a centros autorizados de desmontagem e reciclagem, permitindo que peças e materiais retornem à cadeia produtiva. Segundo ele, esse mercado movimenta cerca de R$ 40 bilhões por ano no país.

Bioeconomia e tecnologia ampliam a agenda climática

A programação também incluiu debates promovidos pela Fundação Florestal sobre conservação da biodiversidade, bioeconomia, pesquisa científica e adaptação às mudanças climáticas. Especialistas defenderam que a preservação ambiental pode ser integrada ao desenvolvimento econômico por meio de cadeias produtivas sustentáveis e do uso de soluções baseadas na natureza.

Entre as iniciativas apresentadas está a plataforma Monitora Bio SP, que acompanha 48 Unidades de Conservação distribuídas por mais de 884 mil hectares. O sistema reúne mais de 108 mil registros de fauna, além de informações sobre mais de 200 espécies animais e mais de 100 espécies vegetais, formando uma base para o monitoramento da biodiversidade paulista.

Outro tema debatido foi o uso de inteligência artificial, Internet das Coisas e análise de dados para aprimorar a gestão de resíduos e otimizar o reaproveitamento de materiais. As tecnologias vêm sendo apontadas como ferramentas capazes de aumentar a rastreabilidade, melhorar a eficiência operacional e apoiar a tomada de decisões em projetos de economia circular.

As discussões realizadas durante a São Paulo Climate Week devem contribuir para a construção de propostas que serão apresentadas na COP31, conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, em Antalya, na Turquia. Até lá, a expectativa é que os debates avancem para a implementação de novas iniciativas de economia circular, ampliando a integração entre políticas públicas, inovação e soluções já em desenvolvimento em diferentes setores da economia.

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