Tecnologia busca viabilizar plantio direto no combate ao Sphenophorus
Conceito Sphenophorus Zero propõe novo modelo para reforma do canavial
O avanço do Sphenophorus levis, uma das principais pragas da cana-de-açúcar, levou pesquisadores a desenvolver uma proposta para reduzir sua população durante a reforma dos canaviais e criar condições para a adoção do plantio direto. Durante o InsectShow 2026, realizado pelo Grupo Idea, em 22 de julho, em Ribeirão Preto – SP, o consultor e pesquisador Newton Macedo apresentou os primeiros resultados da tecnologia Sphenophorus Zero, ainda em fase de validação.
Segundo Macedo, o bicudo continua ampliando sua presença nas áreas produtoras. Dados apresentados durante a palestra mostram que a área tratada contra a praga cresceu de forma contínua nos últimos anos, refletindo a dificuldade de controle e o impacto econômico causado pelo inseto. “O Sphenophorus está em um pico de progressão e continua sendo um grande desafio”, afirmou.
O pesquisador explicou que a dificuldade de eliminar completamente a população da praga durante a reforma comprometeu tentativas anteriores de ampliar o uso do plantio direto na cultura.
“Quando o plantio direto começou a ganhar força, no fim da década de 1990, tivemos que voltar atrás por causa dessa praga. Ela transforma a muda em uma isca quando a população não é zerada na área de reforma”, disse.
Tecnologia reúne sete práticas de manejo
O conceito Sphenophorus Zero foi desenvolvido para eliminar a população remanescente do inseto durante a reforma do canavial. A proposta integra plantio direto, cobertura permanente do solo, rotação de culturas com leguminosas ou gramíneas, uso de agentes biológicos, manejo da fertilidade e monitoramento integrado de pragas, formando um sistema voltado à renovação da lavoura com menor mobilização do solo.
De acordo com o especialista, a manutenção da palhada é um dos diferenciais da tecnologia. Os dados apresentados indicam que a cobertura do solo pode reter entre 200 e 300 milímetros de água por hectare ao ano, favorecendo a conservação da umidade e contribuindo para práticas associadas à agricultura regenerativa e ao sequestro de carbono. “Hoje isso ainda não é tão valorizado, mas tende a ser cada vez mais cobrado no futuro”, afirmou.
Resultados iniciais indicam potencial da proposta
As primeiras áreas de validação compararam o manejo convencional de reforma com o sistema Sphenophorus Zero. Em um dos experimentos apresentados, a produtividade permaneceu praticamente estável, enquanto o ATR aumentou de 137,47 para 143,41 quilos por tonelada de cana. Os ensaios também registraram redução da população do Sphenophorus durante a fase de reforma do canavial.
O consultor ressaltou que os resultados ainda são preliminares e dependem da ampliação das avaliações em diferentes regiões e condições de cultivo. A expectativa é verificar se a tecnologia pode consolidar um novo modelo de renovação dos canaviais, conciliando controle da praga, conservação do solo e maior eficiência do sistema produtivo.
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