Chuvas limitam oferta e mantêm mercado de etanol ajustado
Anidro encontra maior sustentação, enquanto hidratado recua após alta semanal
As chuvas no Centro-Sul reduziram o ritmo da moagem e limitaram a oferta de etanol na segunda quinzena de setembro, mantendo o mercado sustentado apesar da acomodação observada nas cotações do hidratado no fim da semana. O movimento ocorre após uma forte valorização dos preços do biocombustível no período anterior.
O último indicador semanal completo do Cepea, referente aos dias 14 a 18 de setembro, apontou o etanol hidratado a R$ 2,6412 por litro, alta de 7,27%. O anidro alcançou R$ 2,9128 por litro, avanço de 2,29%. Já no mercado diário de Paulínia, o hidratado recuou de R$ 2.711,50 por metro cúbico, no dia 21, para R$ 2.669,00 no dia 24.
A diferença entre o desempenho semanal e o movimento diário mostra um mercado ainda pressionado pela disponibilidade do produto, mas com sinais de acomodação. Segundo análise da Ecoflex Trading Energia Logística, as precipitações frequentes dificultaram a colheita e o transporte da cana-de-açúcar e levaram algumas unidades a interromper as atividades.
Além do impacto imediato sobre a moagem, as chuvas aumentam a preocupação com o avanço da safra. Entre os possíveis efeitos estão atrasos em compromissos contratuais e a permanência de parte da cana no campo para processamento no próximo ciclo.
Moagem menor restringe disponibilidade
A redução do ritmo das usinas também aparece nas estimativas para a primeira quinzena de setembro. Pesquisa da Platts apontou queda de 35,4% na moagem do Centro-Sul, para 29,8 milhões de toneladas.
A produção de etanol foi estimada em 1,89 bilhão de litros, recuo de 18,7%. Para o açúcar, a projeção indicou redução mais acentuada, de 42,5%, para 2,09 milhões de toneladas. Os números mostram impacto maior das condições climáticas sobre a fabricação do adoçante no período.
No mercado de etanol, o anidro apresenta fundamentos mais firmes, apoiado pela demanda associada à mistura de 32% na gasolina e pela menor disponibilidade no mercado spot. O hidratado, por sua vez, mantém demanda aquecida e competitividade nas bombas, embora tenha apresentado recuo nas negociações diárias depois da valorização anterior.
Entre 13 e 19 de setembro, o preço médio do hidratado nos postos brasileiros subiu 0,99%, para R$ 4,08 por litro. A relação com o preço da gasolina ficou em 62,39%. Em São Paulo, o biocombustível foi comercializado, em média, a R$ 3,77 por litro, com paridade de 59,37%.
Benefícios tributários entram na formação dos preços
Outro componente acompanhado pelo mercado é a desoneração de PIS/Pasep e Cofins sobre o hidratado, prevista até 9 de outubro. O benefício corresponde a aproximadamente R$ 0,1922 por litro, mas não determina o repasse integral dessa diferença ao consumidor.
A subvenção de R$ 0,2519 por litro também interfere nas negociações. Nesse caso, o acesso ao benefício depende de habilitação e de redução efetiva do preço de venda na ponta.
Com as margens pressionadas, a avaliação é que parte das usinas pode utilizar o alívio tributário para recompor resultados e ajustar o volume colocado no mercado, enquanto as distribuidoras pressionam por preços menores.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: