CRV Industrial reduz infestação da broca para 0,48% na safra 2026
Índice fica 59% abaixo do limite interno mesmo com expansão da área
A CRV Industrial, em Capinópolis – MG, registrou índice de infestação final de 0,48% da broca-da-cana (Diatraea saccharalis) na safra 2026, um dos menores níveis alcançados pela companhia nos últimos seis ciclos. O levantamento cobriu 97,56% da área colhida.
O resultado ficou 59% abaixo do limite interno de 1,20% adotado pela empresa e também abaixo da média de 0,56% registrada desde 2021. O índice foi obtido em um período de expansão da operação, cuja área total prevista para colheita em 2026 se aproxima de 30 mil hectares.
O manejo da praga combina monitoramento, controle biológico, tecnologia e critérios agronômicos. Os dados coletados nos canaviais são usados para definir os locais e o momento das intervenções.
Segundo Iranildo Silva, engenheiro agrônomo responsável pelo Planejamento, Pesquisa e Desenvolvimento Agronômico e pelo Manejo Fitossanitário da CRV Industrial, a integração entre as informações de campo e a operação é uma das bases do programa. “Esse trabalho conecta o conhecimento produzido no campo às decisões operacionais que sustentam a evolução contínua do programa”, afirmou.
Janela de controle orienta manejo da broca
O momento da intervenção influencia a eficiência do controle. Nas fases iniciais, as larvas permanecem mais expostas nos tecidos da planta. Com o avanço do ciclo, penetram no colmo e ficam protegidas, o que dificulta o manejo.
Como a broca apresenta ciclo de cerca de 60 dias, a empresa procura executar as recomendações em até cinco dias. O limite operacional de referência é de sete dias, período estabelecido para aproveitar a fase em que a praga está mais exposta ao controle.
Durante o ciclo, o monitoramento considera a presença de posturas, larvas jovens e sintomas recentes. Já o Índice de Infestação Final mede o dano acumulado nos entrenós e é utilizado para avaliar o resultado ao fim da safra.
Sistemas digitais organizam informações de plantio e corte, identificam os talhões que entram na janela de monitoramento e apoiam as recomendações. As ferramentas também permitem acompanhar as operações em uma área maior e manter a rastreabilidade dos dados.
O controle biológico é feito com a liberação de Cotesia flavipes, parasitoide utilizado contra a broca, em cerca de 30% da área manejada pela companhia. A eficiência depende do sincronismo com o ciclo da praga, além da qualidade do material, da logística e das condições de campo.
Área de colheita mais que dobrou desde 2021
Os índices permaneceram abaixo de 1% em todas as safras da série apresentada pela empresa. O indicador foi de 0,71% em 2021 e caiu para 0,44% em 2022. Passou para 0,54% em 2023, 0,65% em 2024 e 0,52% em 2025, antes de chegar a 0,48% neste ano.
No mesmo período, a área total de colheita mais que dobrou. A ampliação da operação foi acompanhada pelo aumento da área monitorada, usado para identificar diferenças na presença da praga entre os talhões e orientar as intervenções.
A broca provoca perdas tanto no campo quanto na qualidade da matéria-prima. As galerias abertas pelas larvas comprometem a integridade e a massa dos colmos, favorecem quebras e podem reduzir a produtividade da lavoura.
As perfurações também facilitam a entrada de fungos e bactérias, com possíveis efeitos sobre sacarose, pureza, acidez e ATR recuperável pela indústria. A intensidade das perdas varia conforme o nível e a época do ataque, a variedade cultivada e as condições de produção.
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