Irrigação por gotejamento eleva produtividade da cana em até 50%
Tecnologia também pode ampliar a longevidade do canavial e reduzir custos
A irrigação por gotejamento tem ganhado espaço entre fornecedores de cana-de-açúcar como alternativa para elevar a produtividade sem ampliar a área cultivada. Além de reduzir os efeitos do déficit hídrico, a tecnologia permite maior controle da oferta de água e nutrientes e pode contribuir para prolongar a vida produtiva do canavial.
De acordo com a Netafim, especializada em soluções de irrigação, projetos conduzidos pela empresa em áreas de cana-de-açúcar registram incrementos médios de produtividade da ordem de 50% em comparação com condições de produção sem irrigação. O resultado pode variar conforme as características da área, o projeto e o manejo adotado.
A estratégia ganha relevância diante dos custos elevados de produção e da maior irregularidade climática. Nesse cenário, o objetivo passa pela obtenção de mais toneladas por hectare e pela manutenção de resultados mais estáveis ao longo das safras.
“O produtor de cana vive um momento em que aumentar a eficiência da área que já possui se tornou cada vez mais importante. Quando os custos sobem e o clima fica menos previsível, produzir mais e melhor em cada hectare pode fazer uma diferença importante na competitividade do negócio”, afirma Alexandre de Paula, diretor de vendas da Netafim.
Água e nutrientes chegam diretamente às raízes
No sistema por gotejamento, a água é aplicada de maneira frequente e controlada diretamente na região das raízes, reduzindo os períodos de estresse hídrico durante as fases de maior demanda da cultura.
A estrutura também possibilita a fertirrigação, com o fracionamento da aplicação de nutrientes ao longo do ciclo. Dessa forma, água e fertilizantes podem ser fornecidos de acordo com as necessidades da planta em diferentes estágios de desenvolvimento.
Segundo a Netafim, os efeitos podem se estender além do ganho obtido em uma única safra. O manejo adequado da água e da nutrição ajuda a preservar o potencial das soqueiras e, dependendo das condições do projeto e da condução da área, pode até dobrar a longevidade produtiva do canavial.
“É importante olhar para o canavial como um sistema de produção de longo prazo. Um ganho de produtividade em uma safra é relevante, mas preservar esse potencial ao longo dos cortes pode ter um impacto ainda maior no resultado do produtor”, diz o diretor.
Projetos são adaptados à realidade de cada propriedade
Antes mais associada a grandes usinas e projetos de maior investimento, a irrigação por gotejamento passou a ser dimensionada também para diferentes perfis de fornecedores. A definição considera fatores como disponibilidade de água e energia, tamanho e configuração da área, capacidade de investimento e objetivo produtivo.
A empresa atua com parceiros comerciais homologados em diferentes regiões produtoras, responsáveis por aproximar o desenvolvimento dos projetos das condições locais. O atendimento abrange desde a avaliação das necessidades da propriedade até implantação, orientação técnica e pós-venda.
A análise do investimento também considera fatores que vão além do aumento da produção. Uma produtividade maior e mais estável permite distribuir custos da propriedade sobre um volume superior de cana, com reflexos no custo de produção por tonelada.
A longevidade entra no mesmo cálculo. Com a manutenção do potencial produtivo por mais cortes, a reforma do canavial pode ser postergada e o custo de formação da área, diluído por um período maior. “Quando falamos em retorno da irrigação, não devemos olhar apenas para quantas toneladas a mais foram produzidas em uma safra. Existe uma combinação de fatores: produtividade, estabilidade, longevidade e eficiência no uso dos recursos”, conclui De Paula.
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