São Paulo Innovation Week debate bioenergia e inovação no agro
Evento discutiu etanol, SAF e desafios do agro brasileiro
Ribeirão Preto – SP recebeu, nos últimos dias, discussões sobre bioenergia, segurança alimentar, fertilizantes, bioinsumos e transição energética durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), realizado entre quarta-feira (13) e sexta-feira (15), no Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), na capital paulista. O evento reuniu mais de 80 mil visitantes, 1.877 palestrantes, 160 convidados internacionais e 100 empresas expositoras, segundo os organizadores.
Promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, o festival concentrou debates ligados ao agronegócio brasileiro, com foco em etanol, combustíveis renováveis, crédito de carbono, agricultura de precisão e novas tecnologias voltadas ao campo. A programação contou com participação de representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), executivos do setor agroindustrial, pesquisadores e autoridades públicas.
Entre os participantes esteve o deputado federal Arnaldo Jardim, que destacou a importância da segurança jurídica e da estabilidade regulatória para ampliar investimentos no agronegócio e na transição energética. O parlamentar citou a aprovação recente do marco regulatório de minerais críticos e estratégicos como exemplo de construção de políticas públicas de longo prazo.
Bioenergia e etanol
A bioenergia ganhou espaço relevante na programação do SPIW. Em painel mediado por Marcos Jank, do Insper Agro Global, representantes do setor discutiram os desafios da descarbonização e o potencial brasileiro em biocombustíveis, especialmente no mercado de etanol, SAF e combustíveis marítimos.
André Nassar, presidente executivo da Abiove, afirmou que a discussão global sobre descarbonização passou a incorporar de forma mais ampla os biocombustíveis, após debates envolvendo cana, milho e soja. Segundo ele, a bioenergia brasileira possui potencial para ampliar presença internacional, principalmente em segmentos ligados à aviação civil e ao transporte marítimo.
Luciano Rodrigues, diretor de inteligência estratégica e regulação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, avaliou que o Brasil avançou nos últimos anos com políticas como o RenovaBio, mas afirmou que o principal desafio agora é consolidar os programas existentes e garantir previsibilidade regulatória ao setor.
Daniel Lopes, da FS Bioenergia, destacou o crescimento do etanol de milho no País, que já responde por cerca de 30% da produção nacional de etanol. Segundo ele, o combustível deve ganhar protagonismo no processo de descarbonização, além de ampliar oportunidades ligadas à produção de DDG e óleo de milho.
Os debates também envolveram perspectivas para transformação de refinarias convencionais em biorrefinarias, avanço do SAF, expansão da bioeletricidade e desenvolvimento de novas aplicações para o etanol. Representantes do setor avaliaram que o Brasil possui espaço para ampliar sua relevância global em segurança energética e combustíveis renováveis, mas ainda depende de avanços em infraestrutura, investimentos e políticas públicas.
Bioinsumos e fertilizantes
Os bioinsumos também apareceram entre os principais assuntos da programação voltada ao agro. Especialistas defenderam maior adoção de produtos biológicos no campo diante da pressão sobre custos de fertilizantes químicos e do cenário internacional de incertezas.
Sheilla Albuquerque, CEO da Vitalforce, afirmou que conflitos internacionais tendem a acelerar o uso de bioinsumos, especialmente em períodos de alta do gás natural e encarecimento dos fertilizantes. Segundo ela, o avanço da tecnologia depende também de maior disseminação de conhecimento técnico no campo.
Marcelo de Godoy, da Simbiose, avaliou que o produtor rural deve ampliar o interesse por soluções biológicas para reduzir dependência de insumos importados e melhorar a eficiência produtiva. Já executivos ligados ao setor de fertilizantes alertaram para riscos de ruptura logística global e possíveis impactos sobre a oferta de insumos para a próxima safra.
Outro ponto debatido foi o crescimento da agricultura de precisão e do mercado de crédito de carbono como alternativas para elevar competitividade e sustentabilidade da produção agropecuária brasileira. Além do agro, o São Paulo Innovation Week reuniu painéis sobre inteligência artificial, mobilidade, ciência, saúde mental e indústria automotiva. A organização confirmou nova edição do evento entre os dias 4 e 7 de maio de 2027, com expectativa de ampliação da programação e do espaço utilizado na capital paulista.
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