Importações de nitrogenados caem ao menor nível em seis anos
Compras até agosto recuam e aumentam atenção sobre oferta para o milho safrinha
As importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados avançam em ritmo mais lento em 2026 e aumentam a atenção sobre o abastecimento para a próxima safrinha de milho. Levantamento da StoneX mostra que as compras externas de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio estão cerca de 20% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
O movimento ocorre em um período importante para a formação de estoques. O segundo semestre costuma concentrar as aquisições de nitrogenados por produtores e distribuidores para atender às aplicações no plantio do milho safrinha. Mesmo assim, o mercado brasileiro mantém uma postura cautelosa nas compras.
Entre janeiro e agosto, considerando o nitrogênio contido nas três principais matérias-primas analisadas, o volume importado ficou no menor nível para o período dos últimos seis anos. Segundo a StoneX, o resultado de 2026 é comparável apenas ao observado em 2019.
Ureia importada recua 23 por cento no ano
As importações brasileiras de ureia somaram aproximadamente 2,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 23% em relação ao mesmo intervalo de 2025. No nitrato de amônio, a redução chegou a 25% na comparação anual.
Para que as compras externas se aproximem dos níveis observados nos últimos anos, será necessária uma aceleração das importações nos próximos meses. Parte da cautela está relacionada à expectativa de condições mais favoráveis para a aquisição dos fertilizantes.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a possibilidade de ampliação das exportações chinesas de ureia alimenta a percepção de que os preços podem se tornar mais competitivos adiante.
“Os compradores brasileiros seguem bastante cautelosos e parecem aguardar um ambiente mais favorável para realizar suas aquisições. A expectativa de uma ampliação das exportações chinesas de ureia nos próximos meses tem alimentado a percepção de que pode haver espaço para preços mais competitivos adiante”, afirma Pernías.
Mercado global ainda concentra riscos
A possibilidade de preços mais baixos, porém, convive com fatores de incerteza no mercado internacional. Entre eles estão o tráfego reduzido pelo Estreito de Ormuz, os preços elevados do gás natural e as negociações entre Estados Unidos e Irã, fatores que, segundo a StoneX, mantêm a volatilidade no mercado de fertilizantes nitrogenados.
Outro ponto de atenção é a demanda internacional. Com o avanço do calendário, aumenta a necessidade de formação de estoques para a próxima safra norte-americana, o que pode elevar a concorrência pelas cargas disponíveis no mercado global.
Nesse cenário, adiar as compras pode abrir espaço para preços mais favoráveis, mas também elevar o risco de maior disputa pelo produto posteriormente.
“Esperar pode trazer oportunidades para quem busca preços mais baixos, mas também envolve riscos. Dependendo do comportamento da demanda no Hemisfério Norte, os compradores brasileiros poderão enfrentar uma disputa mais intensa pelas cargas justamente em um momento crucial para o abastecimento da próxima safra”, conclui Pernías.
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