Crédito, fertilizantes e clima elevam risco para a safra 2026/27
Análise aponta menor espaço para investimentos e reforça peso da produtividade
A combinação de crédito mais restrito, custos elevados dos insumos e maior risco climático deve aumentar a pressão sobre as decisões de investimento dos produtores na safra 2026/27. A avaliação é da Prado Agronegócios, na nova edição do #CafécomPrado, que chama atenção para os efeitos de eventuais cortes no pacote tecnológico sobre a produtividade das lavouras.
Com margens agrícolas mais apertadas, o acesso ao financiamento também se tornou mais caro e seletivo. Nesse cenário, parte dos produtores tende a rever investimentos em fertilizantes, defensivos, produtos biológicos, sementes, corretivos e outras tecnologias para adequar o custeio à disponibilidade de recursos.
A análise pondera, porém, que a redução de despesas pode comprometer o desempenho das lavouras quando atinge práticas diretamente relacionadas à eficiência produtiva. A avaliação considera que, diante do menor volume de capital disponível, a definição de prioridades ganha importância para evitar que a economia no início do ciclo resulte em perda de produtividade.
O comportamento do mercado de fertilizantes amplia essa preocupação. As importações brasileiras somaram 22,4 milhões de toneladas entre janeiro e julho, queda de 7,5% na comparação anual. Apenas em julho, foram 4,1 milhões de toneladas, recuo de 14,4% sobre o mesmo mês de 2025.
Em maio e junho, as retrações haviam sido de 14,2% e 20,1%, respectivamente. Mantido esse ritmo, a Prado estima que o volume importado em 2026 poderá ficar mais de 10% abaixo das 45,5 milhões de toneladas registradas no ano passado.
Oferta de fertilizantes entra no radar
Além da redução das compras externas, o relatório aponta riscos relacionados à oferta doméstica de alguns fertilizantes. O documento cita a redução ou paralisação temporária da produção da Mosaic em unidades no Brasil diante do custo e da disponibilidade de enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados.
O cenário ajuda a explicar por que quedas pontuais das matérias-primas no mercado internacional não necessariamente chegam rapidamente ao produtor. Câmbio, frete, estoques e oferta doméstica continuam influenciando a formação dos preços no mercado brasileiro.
A produtividade aparece, nesse contexto, como uma das principais variáveis para diluir os custos de produção. Em Mato Grosso, a colheita de milho da safra 2025/26 estava 99,1% concluída, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária apresentados no relatório.
O rendimento médio do cereal foi estimado em 128,67 sacas por hectare, com produção de 57,39 milhões de toneladas. No algodão, foram 315,33 arrobas por hectare e 6,51 milhões de toneladas produzidas. Os números reforçam, segundo a análise, a importância dos ganhos de rendimento para a sustentação das margens agrícolas.
No mercado, soja, milho, câmbio e petróleo também permanecem entre os fatores de atenção. O dólar encerrou a semana de 3 a 7 de agosto próximo de R$ 5,08, enquanto o petróleo Brent continuou incorporando prêmio de risco relacionado às tensões geopolíticas.
El Niño aumenta atenção para a próxima safra
O clima acrescenta outra variável às decisões para 2026/27. As projeções reunidas pelo #CafécomPrado indicam fortalecimento do El Niño durante o período de implantação da safra, com aumento da probabilidade de um evento mais intenso entre a primavera e o início do verão.
Para o Brasil, o fenômeno pode favorecer chuvas acima da média no Sul e maior irregularidade das precipitações e temperaturas elevadas em partes do Centro-Norte. Por isso, o momento e a distribuição das chuvas podem ser tão relevantes quanto o volume acumulado ao longo da temporada.
Nesse ambiente, a análise destaca práticas voltadas à construção do perfil do solo e ao desenvolvimento do sistema radicular. Raízes mais profundas ampliam o acesso à água das camadas subsuperficiais e a nutrientes móveis, o que pode reduzir a vulnerabilidade das lavouras em períodos de déficit hídrico.
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