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El Niño pode elevar produtividade da soja

Histórico aponta rendimento 3,4% maior, mas excesso de chuva exige atenção

A produtividade da soja em Mato Grosso do Sul ficou 3,4% acima da média nos anos sob influência do El Niño, segundo levantamento da Stoller, marca de biológicos da Corteva Agriscience. O estudo considera o histórico de 20 safras, entre 2004/05 e 2024/25, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e registros climáticos. Apesar do resultado positivo, a distribuição das chuvas e as condições de manejo continuam determinantes para o desempenho das lavouras.

A análise ocorre em um momento de expansão da cultura no estado. Para a safra 2026/27, a área plantada está estimada em 4,874 milhões de hectares, crescimento de 5,5% em relação ao ciclo anterior. A produção projetada é de 15,331 milhões de toneladas, com rendimento médio de 52,4 sacas por hectare. As estimativas têm como referência os últimos cinco anos do Projeto SIGA-MS, desenvolvido pela Aprosoja/MS em parceria com o governo estadual e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

As condições climáticas, entretanto, apresentam diferenças entre as regiões produtoras. No Centro-Sul, as precipitações registradas no início da safra favoreceram o estabelecimento das lavouras, embora tenham elevado o risco de formação de crostas na superfície do solo, dificultando a emergência das plantas. No Norte, a irregularidade das chuvas limitou o ritmo da semeadura, com expectativa de avanço dos trabalhos a partir da segunda quinzena de outubro.

Segundo Fernanda Patrício, gerente de Marketing da Stoller, a maior disponibilidade de água pode beneficiar a cultura, desde que as plantas apresentem condições adequadas para enfrentar as oscilações climáticas. A especialista destaca que o desenvolvimento das raízes, o equilíbrio hormonal e a eficiência na absorção de nutrientes influenciam a capacidade de resposta da soja durante o ciclo produtivo.

Excesso de chuva pode comprometer o desenvolvimento das plantas

Embora o El Niño possa favorecer o regime hídrico em determinadas áreas, períodos de precipitações intensas também representam riscos à produtividade. O acúmulo de água no solo reduz a disponibilidade de oxigênio para as raízes, provocando uma condição conhecida como hipóxia. Esse processo prejudica o funcionamento do sistema radicular e pode comprometer a absorção de água e nutrientes necessários ao crescimento da cultura.

Os efeitos não se restringem às raízes. A menor atividade radicular pode limitar a formação de ramos e nós produtivos, além de interferir na fixação biológica de nitrogênio. Períodos prolongados de nebulosidade também reduzem a incidência de radiação solar, afetando a fotossíntese e, consequentemente, o desenvolvimento das estruturas reprodutivas responsáveis pela formação dos grãos.

“Uma raiz menos funcional, por exemplo, pode limitar a formação de novos ramos e nós produtivos, além de comprometer processos relacionados à Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)”, explica Fernanda.

Os dados históricos mostram que a presença do fenômeno climático não assegura resultados positivos em todas as temporadas. Na safra 2023/24, mesmo sob influência do El Niño, Mato Grosso do Sul registrou produtividade 13,1% inferior à tendência histórica. O desempenho evidencia que o volume de precipitações, isoladamente, não determina o rendimento agrícola, especialmente quando há irregularidade na distribuição das chuvas ou ocorrência de outros fatores de estresse.

Manejo busca preservar o potencial produtivo da soja

Diante das variações climáticas, o manejo fisiológico ganha importância para preservar os componentes responsáveis pela produtividade. Entre os principais indicadores estão a quantidade de vagens por metro quadrado, o número de grãos por vagem e o peso final dos grãos. Esses fatores dependem das condições de desenvolvimento das plantas e podem ser afetados por limitações hídricas, nutricionais e fisiológicas.

Nesse contexto, a Stoller apresenta o conceito Soja Forte, que reúne tecnologias destinadas a diferentes etapas do desenvolvimento da cultura. O programa inclui o regulador de crescimento Stimulate 10X, voltado ao equilíbrio hormonal, o Hold, utilizado no manejo dos efeitos do estresse, e o Mover, composto por micronutrientes direcionados à fase de enchimento dos grãos.

A empresa também destaca o uso da solução biológica BlueN, desenvolvida para complementar o fornecimento de nitrogênio às plantas por meio de uma bactéria aplicada às folhas. A tecnologia é apresentada como ferramenta adicional ao programa de adubação, com o objetivo de contribuir para a disponibilidade do nutriente durante o desenvolvimento da lavoura.

Para Fernanda, a estratégia de manejo deve considerar tanto os períodos de maior disponibilidade hídrica quanto as situações de estresse que podem ocorrer ao longo da temporada. A avaliação das condições regionais permite ajustar as práticas agrícolas às necessidades das plantas, sem depender exclusivamente de um cenário climático favorável.

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