Etanol ganha espaço em corredores verdes do transporte marítimo
Rotas entre Santos e portos europeus exigem infraestrutura e eficiência logística
A utilização de combustíveis renováveis no transporte marítimo começa a abrir novas oportunidades para o etanol brasileiro. O avanço do abastecimento de navios no Porto de Santos ocorre em meio às discussões sobre a criação de corredores sustentáveis entre o Brasil e a Europa, que buscam reduzir as emissões de carbono e melhorar a eficiência das operações comerciais.
O tema foi debatido durante o seminário “Preparativos dos Corredores Sustentáveis Santos/Roterdã/Oslo e Santos/Algeciras/Valência”, realizado na última quarta-feira (21), em São Paulo – SP. O encontro foi promovido pelo Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (COMUS), ligado à São Paulo Chamber of Commerce, braço de internacionalização da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Uma das alternativas discutidas foi a adoção do modelo hub and spoke, que concentra cargas em portos estratégicos para posterior distribuição a outros destinos. O sistema permite reorganizar as escalas dos navios, reduzir atracações e melhorar o aproveitamento da capacidade de transporte nas rotas internacionais.
Segundo José Cândido Senna, coordenador do COMUS, a aplicação desse modelo no Porto de Santos pode ampliar as conexões do Brasil com países do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai, além de fortalecer a integração comercial com a Europa.
“A migração das múltiplas atracações para o hub and spoke, muito mais do que otimizar o transporte marítimo, permite caminhar para a racionalização porto a porto”, afirmou Senna.
Etanol avança como alternativa para abastecimento de navios
A expansão do uso de combustíveis de menor intensidade de carbono foi outro ponto destacado no seminário. Após uma operação pioneira realizada em julho, a Autoridade Portuária de Santos e parceiros do setor anunciaram, em outubro, o início do abastecimento regular de navios com etanol.
A iniciativa amplia as perspectivas de participação da cadeia sucroenergética brasileira no processo de descarbonização da navegação internacional. O fornecimento do biocombustível também pode fortalecer a posição do Porto de Santos como ponto de abastecimento para embarcações que operam em rotas de longo curso.
Na avaliação de Senna, as exigências ambientais passaram a influenciar as condições de competitividade do comércio exterior. A redução da pegada de carbono tornou-se um fator relevante para empresas importadoras e exportadoras, aumentando a importância da disponibilidade de combustíveis renováveis nos portos.
O avanço dessas operações, entretanto, ainda enfrenta limitações. Entre os principais entraves apontados estão os longos prazos de execução de obras de infraestrutura, as restrições de capacidade para navegação de longo curso e a falta de instalações específicas para o abastecimento de combustíveis verdes.
Ajustes operacionais entram na pauta dos corredores verdes
Além da transição energética, os participantes discutiram medidas para melhorar a movimentação de cargas nos portos. Entre as propostas estão o estímulo ao uso de contêineres de 40 pés e o reposicionamento de unidades vazias próximas aos terminais, de forma a facilitar seu reaproveitamento.
O seminário também abordou a simplificação de procedimentos regulatórios e a adoção de tecnologias para melhorar a integração entre os portos. As iniciativas fazem parte das discussões sobre os corredores sustentáveis que ligam Santos a Roterdã e Oslo, no norte da Europa, e a Algeciras e Valência, na Espanha.
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