Levedura nacional busca elevar rendimento do etanol de milho
Tecnologia paulista avança à escala piloto e pode reduzir custos das usinas
O crescimento do etanol de milho no Brasil abre espaço para o desenvolvimento de tecnologias nacionais voltadas à eficiência industrial. A Bioinfood, empresa de biotecnologia de Campinas – SP, criou uma linhagem de levedura que busca aumentar a produção de combustível a partir da mesma quantidade de grãos, reduzindo a dependência de insumos importados. A iniciativa foi apresentada em reportagem da Agência FAPESP.
Desenvolvido com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e do Sebrae, o projeto está em transição dos testes laboratoriais para a escala piloto. A etapa permitirá avaliar o desempenho da tecnologia em condições próximas às encontradas nas usinas.
Em entrevista à Agência FAPESP, Gleidson Silva Teixeira, diretor científico e cofundador da Bioinfood, explicou que a linhagem ainda precisa de ajustes, que deverão ser realizados em parceria com as indústrias. O objetivo é adaptar o microrganismo às características de cada processo produtivo.
Tecnologia busca ganhos de eficiência na fermentação
Diferentemente da cana-de-açúcar, o milho exige a conversão do amido em açúcares fermentáveis antes da produção de etanol. Nesse processo, o desempenho da levedura influencia diretamente o volume de combustível obtido. Entre as melhorias previstas está a possibilidade de fermentação em temperaturas mais elevadas, o que pode reduzir os gastos com resfriamento.
Outro desafio envolve a fabricação em escala comercial. Uma usina de grande porte pode consumir até 50 toneladas de levedura por mês. Para atender a essa demanda, a Bioinfood mantém, desde 2022, parceria com uma fabricante tradicional do segmento de panificação, que pretende ampliar sua atuação no setor sucroenergético.
A estrutura da empresa parceira deverá apoiar a validação industrial da linhagem e permitir seu fornecimento às unidades produtoras, com adaptações conforme as condições operacionais de cada planta.
Produção de etanol de milho cresce 29,8%
A tecnologia chega ao mercado em um período de expansão do combustível produzido a partir do cereal. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil produziu 37,5 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026, dos quais 10,17 bilhões tiveram o milho como matéria-prima.
O volume cresceu 29,8% em relação ao ciclo anterior e passou a representar mais de 27% da oferta nacional. Em contrapartida, a produção derivada da cana-de-açúcar recuou 6,9%, para 27,33 bilhões de litros. Entidades do setor projetam que a produção brasileira total de etanol poderá alcançar 40 bilhões de litros em 2026/2027.
Além do combustível, as usinas de milho obtêm receitas com óleo vegetal e grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS), utilizados na alimentação animal. À Agência FAPESP, Teixeira destacou que a competitividade do setor depende da capacidade de ampliar o rendimento da matéria-prima e reduzir os custos industriais.
Empresa prevê fábrica piloto para 2027
Fundada em 2018, a Bioinfood surgiu de pesquisas desenvolvidas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Inicialmente direcionada ao setor de alimentos e bebidas, ampliou sua atuação para biocombustíveis e agronegócio e atualmente desenvolve projetos para indústrias em oito países.
A empresa captou R$ 8 milhões em projeto aprovado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e também foi contemplada pelo Tecnova III – São Paulo, iniciativa da Finep e da FAPESP que inclui recursos para internacionalização.
Para meados de 2027, a Bioinfood prevê inaugurar um laboratório próprio, com uma fábrica piloto de biotecnologia, destinada à validação de processos e ao desenvolvimento de soluções para aplicação industrial.
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