Juros altos mudam estratégia de investimento das usinas
Crédito caro leva setor a rever alocação de capital
O aumento do custo do crédito e a pressão sobre as margens de açúcar e etanol vêm alterando a forma como as usinas avaliam seus investimentos. Em vez de concentrar recursos apenas na expansão da capacidade produtiva, empresas do setor sucroenergético passaram a priorizar a preservação de liquidez, a redução do endividamento e a eficiência financeira. O tema foi debatido durante a Reunião Anual Fermentec 2026, realizada nos dias 29 e 30 de julho, em Ribeirão Preto – SP.
Segundo Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio, esse cenário também mudou a forma de avaliar ativos industriais de alto valor. Equipamentos como os complexos termoelétricos, responsáveis pela geração de vapor e energia, deixaram de ser analisados apenas pela função operacional e passaram a integrar a estratégia financeira das empresas, em razão do impacto sobre a estrutura de capital e a capacidade de investimento.
Durante a palestra, Blandy afirmou que a combinação entre juros elevados e necessidade de desalavancagem tem levado parte do mercado a buscar alternativas que reduzam o capital imobilizado, liberando recursos para atividades diretamente ligadas ao negócio principal das usinas.
Capital investido entra no centro das decisões
Na avaliação do executivo, a gestão do capital investido ganhou protagonismo em um ambiente de crédito mais restrito. Ativos industriais de longa vida útil, que permanecem por décadas no balanço das empresas, passaram a ser avaliados também pelo potencial de liberar recursos para expansão agrícola, aumento da moagem, modernização industrial e reforço do capital de giro.
“Com juros elevados e crédito mais caro, desalavancar virou prioridade para as usinas”, afirmou. Para ele, essa mudança amplia o peso da disciplina financeira nas decisões de investimento e reduz a disposição das empresas em manter grandes volumes de capital imobilizado.
Eficiência energética reduz custos
Outro ponto destacado foi a relação entre eficiência energética e competitividade. Segundo o diretor, ganhos na geração de vapor podem reduzir o consumo de biomassa, elevar a disponibilidade operacional e ampliar a geração de energia excedente, contribuindo para preservar as margens em um cenário econômico mais desafiador.
Nesse contexto, os sistemas térmicos deixam de ser vistos apenas como parte da operação industrial e passam a exercer influência direta sobre os resultados financeiros das usinas. A eficiência desses ativos pode reduzir custos e aumentar a capacidade de investimento em outras áreas do negócio.
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