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Alta dos fertilizantes leva IAC a orientar uso mais eficiente

Instituto recomenda análise de solo, calagem e manejo racional

A escalada nos preços dos fertilizantes, impulsionada por tensões geopolíticas e restrições logísticas globais, elevou o risco de custos recordes na safra 2026/27 e pressiona a rentabilidade no campo. Diante desse cenário, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, reforçou orientações técnicas para melhorar a eficiência no uso de insumos e reduzir impactos financeiros aos produtores.

Segundo o pesquisador Heitor Cantarella, da área de solos do IAC, o contexto internacional compromete cadeias de suprimento e dificulta a previsibilidade de preços. “Nosso objetivo é orientar estrategicamente os agricultores diante da muito provável alta nos preços dos fertilizantes, consequência da guerra que afeta rotas de transporte e a produção global”, afirma.

Eficiência no uso de insumos

A primeira recomendação do instituto é a análise de solo, considerada essencial para direcionar a adubação com precisão. O diagnóstico permite identificar carências específicas e ajustar doses, evitando desperdícios e otimizando o investimento em insumos mais caros.

Outra medida destacada é a adoção de boas práticas agrícolas com base no conceito 4C, que envolve aplicação na dose certa, no momento adequado, com o produto correto e no local indicado. A estratégia busca elevar a eficiência agronômica e reduzir perdas operacionais.

O uso de insumos disponíveis na propriedade também integra as orientações, como estercos e compostos orgânicos, dentro de uma lógica de economia circular que pode reduzir a dependência de fertilizantes minerais.

Calagem ganha relevância

A calagem aparece como alternativa de baixo custo e impacto direto na produtividade. A aplicação de calcário corrige a acidez do solo, melhora a disponibilidade de nutrientes e reduz a toxidez do alumínio, favorecendo o desenvolvimento radicular.

Além disso, o insumo fornece cálcio e magnésio e amplia a eficiência da adubação ao aumentar a absorção de fósforo e outros elementos. Por ser amplamente disponível no Brasil, o calcário apresenta custo inferior em comparação aos fertilizantes importados.

Dependência externa e pressão de custos

O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados, o que amplia a exposição a choques externos. Parte relevante desses insumos passa por rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, afetadas por instabilidades recentes.

A incerteza logística tem dificultado a formação de preços no mercado interno. Insumos como o enxofre, base para fertilizantes fosfatados, já registraram alta entre 300% e 400% desde o início das tensões internacionais, segundo o IAC.

Com custos elevados e preços de commodities pressionados, produtores enfrentam margens mais estreitas. Caso não consigam repassar o aumento, o endividamento tende a crescer. Se houver repasse, o impacto pode chegar ao consumidor por meio da inflação de alimentos.

Nesse ambiente, o instituto reforça o uso de tecnologias já consolidadas para sustentar a produtividade com menor dependência de insumos externos e maior eficiência no manejo agrícola.

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