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Brasil amplia protagonismo em biocombustíveis e desperta interesse da China

Delegação chinesa debate etanol, SAF e segurança alimentar na Embrapa

O avanço da produção brasileira de biocombustíveis, especialmente do etanol de milho, chamou a atenção de pesquisadores chineses durante visita técnica à Embrapa Agroenergia. A missão, formada por integrantes do Instituto de Economia Agrícola e Desenvolvimento (IAED), da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS), discutiu com especialistas brasileiros estratégias para conciliar segurança alimentar, transição energética e redução das emissões de carbono.

O encontro reuniu professores e pesquisadores dos dois países para trocar experiências sobre políticas públicas, matriz energética e tecnologias voltadas à produção de combustíveis renováveis. Um dos principais temas foi a capacidade do Brasil de ampliar a oferta de biocombustíveis sem necessidade de expansão significativa da área cultivada.

Etanol de milho ganha espaço

Durante a apresentação, a pesquisadora Thaís Salum destacou a evolução da produção nacional de milho e sua crescente participação na indústria do etanol. Embora a cana-de-açúcar permaneça como principal matéria-prima, o cereal vem ganhando importância impulsionado, sobretudo, pela expansão da segunda safra.

Segundo os dados apresentados, o Brasil produziu 38 bilhões de litros de etanol em 2025, dos quais 9,4 bilhões tiveram origem no milho, o equivalente a quase um quarto da produção nacional.

A pesquisadora ressaltou ainda que, nos últimos 20 anos, a produção brasileira de milho mais que triplicou, enquanto a área plantada cresceu em ritmo bem menor. O avanço da produtividade, segundo ela, abre espaço para ampliar a produção de etanol sem pressionar a abertura de novas áreas agrícolas, fator considerado estratégico diante das discussões globais sobre sustentabilidade.

Energia renovável e novas matérias-primas

A agenda também abordou políticas públicas voltadas aos biocombustíveis, mecanismos de redução das emissões de carbono, governança e o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).

Nesse contexto, o pesquisador Guilherme Botelho apresentou estudos conduzidos pela Embrapa com matérias-primas alternativas para produção de combustíveis renováveis, entre elas canola e macaúba. O objetivo é ampliar as opções de insumos para atender à crescente demanda por energia de baixa intensidade de carbono.

Cenários distintos entre Brasil e China

Os integrantes da delegação chinesa explicaram que o mercado de biocombustíveis no país ainda apresenta diferenças regionais. Atualmente, a mistura de etanol à gasolina varia entre 2% e 10%, conforme a província, cenário considerado menos uniforme que o modelo brasileiro.

Segundo o professor Xinru Han, a prioridade do governo chinês continua sendo garantir a segurança alimentar. Por isso, a produção de biodiesel no país está concentrada no aproveitamento de óleo de cozinha usado, reduzindo a competição por matérias-primas agrícolas. O intercâmbio entre pesquisadores reforça o interesse internacional pelo modelo brasileiro de produção de biocombustíveis, em um momento em que a demanda por combustíveis renováveis cresce e a busca por soluções capazes de combinar segurança energética e produção sustentável de alimentos ganha espaço nas políticas públicas de diferentes países.

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