Exportações do agro recuam em março e açúcar ganha espaço
Relatório do Itaú BBA aponta etanol em queda e impacto da guerra
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 15,4 bilhões em março, com leve retração de 0,7% na comparação anual, segundo o relatório Radar Agro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, divulgado este mês. O desempenho reflete movimentos distintos entre cadeias, com avanço em grãos e proteínas, enquanto o complexo sucroenergético mostra mudanças relevantes de volume e preço.
No período, o cenário internacional também influenciou o fluxo de embarques, especialmente no comércio com o Oriente Médio, afetado por tensões geopolíticas que elevaram custos logísticos e alteraram rotas comerciais.
Açúcar avança em volume e etanol perde espaço
No complexo sucroenergético, o açúcar manteve relevância na pauta exportadora. Os embarques de açúcar VHP alcançaram 1,6 milhão de toneladas em março, alta de 2% em relação ao mesmo mês de 2025. Já o açúcar refinado somou 254 mil toneladas, com retração de 19% no volume.
Apesar do avanço no volume do VHP, os preços apresentaram queda expressiva. O valor médio foi de US$ 354 por tonelada, recuo de 24% na comparação anual, enquanto o refinado registrou desvalorização de 18%, para US$ 421 por tonelada.
O etanol seguiu trajetória oposta, com forte retração nos embarques. As exportações totalizaram 74 mil toneladas, queda de 68% frente a março de 2025. Em contrapartida, os preços subiram 7%, atingindo US$ 595 por metro cúbico, indicando menor oferta e ajuste na demanda internacional.
Guerra pressiona logística e redireciona exportações
O ambiente geopolítico teve impacto direto sobre as exportações de proteínas, sobretudo para o Oriente Médio. No caso da carne bovina, o frete marítimo por contêiner refrigerado mais que dobrou, passando de cerca de US$ 2.800 para até US$ 7.000, pressionando custos e aumentando os riscos operacionais.
Mesmo com esse cenário, as exportações de carne bovina cresceram 8,7% em volume, totalizando 234 mil toneladas, com a China respondendo por 44% dos embarques.
Na carne de frango, os embarques atingiram 431 mil toneladas, alta de 6% na comparação anual. Ainda assim, os envios ao Oriente Médio recuaram 19% frente a fevereiro, refletindo dificuldades logísticas na região.
De acordo com o relatório, outros mercados compensaram parcialmente essa desaceleração, com destaque para Ásia, União Europeia e África do Sul, indicando rearranjo no destino das exportações brasileiras diante do novo cenário global.
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