Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Déficit global de açúcar deve se concentrar no início de 2027

StoneX prevê saldo negativo de 900 mil toneladas na safra 2026/27

O mercado global de açúcar deve voltar ao déficit na safra 2026/27, em um cenário de menor oferta em importantes regiões produtoras do Hemisfério Norte. A StoneX estima saldo negativo de 900 mil toneladas no ciclo de outubro a setembro, ante projeção anterior de déficit de 1,7 milhão de toneladas.

A produção mundial é estimada em 193,8 milhões de toneladas, queda de 0,6% na comparação anual, enquanto a demanda deve avançar 0,6%, para 194,7 milhões de toneladas. Embora o consumo cresça abaixo da média histórica, próxima de 1% ao ano, a redução da oferta deve manter o balanço apertado.

“O déficit projetado para 2026/27 reflete principalmente a deterioração das perspectivas produtivas em mercados relevantes do Hemisfério Norte. Índia, Tailândia, União Europeia e Reino Unido podem registrar, juntos, uma redução de 6 milhões de toneladas na produção, alterando não apenas o balanço global, mas também os fluxos comerciais do açúcar”, afirma Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Clima reduz oferta na Ásia e na Europa

Na Índia, as chuvas ficaram 16% abaixo da normalidade em agosto e cerca de 15% inferiores à média histórica em setembro. Com a piora das condições das lavouras, a StoneX reduziu de 30,4 milhões para 29 milhões de toneladas sua estimativa de produção antes do desvio de matéria-prima para etanol. O cenário também abre a possibilidade de o país voltar ao mercado internacional como importador no segundo semestre de 2027.
A Tailândia também enfrenta restrições climáticas. O déficit acumulado de chuvas chegou a 15% até 20 de setembro, levando a projeção de produção para 9,6 milhões de toneladas. As exportações efetivas são estimadas em 6,9 milhões de toneladas, ante 8,2 milhões previstas para 2025/26.

Na União Europeia e no Reino Unido, seca e ondas de calor afetaram as lavouras de beterraba. A produção conjunta deve recuar 19,7%, para 14,2 milhões de toneladas. A menor disponibilidade deve levar o bloco europeu novamente à condição de importador líquido, com déficit comercial estimado em 1,6 milhão de toneladas.

“As perdas observadas na Europa e os riscos produtivos na Ásia devem aumentar a necessidade de importações e reduzir a disponibilidade de açúcar branco no comércio internacional. Esse movimento tende a ganhar força nos primeiros meses de 2027, período em que Brasil e Tailândia terão menor presença exportadora”, explica Letícia Corrêa, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Brasil amplia peso na oferta mundial

O Centro-Sul brasileiro deve seguir na direção oposta. No calendário internacional de outubro a setembro, a StoneX estima produção de 42,7 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 17,6% sobre as 36,3 milhões de toneladas do ciclo anterior. O avanço, porém, não compensa integralmente as perdas previstas em outros grandes produtores.
Para a safra brasileira 2027/28, a consultoria trabalha com aumento do mix destinado ao açúcar, de 46,1% para 49,3%, apoiado pelo avanço das fixações para o próximo ciclo. Nesse recorte da safra brasileira, a produção do Centro-Sul é projetada em 42,4 milhões de toneladas.

A oferta física deve permanecer relativamente confortável até o fim de 2026, sustentada pelas exportações brasileiras e por uma demanda chinesa mais contida. A situação tende a mudar no início de 2027, quando a menor disponibilidade no Hemisfério Norte deve pressionar os fluxos comerciais.

Fluxo comercial aperta no primeiro semestre
As projeções da StoneX indicam déficit de cerca de 1,1 milhão de toneladas no fluxo comercial no primeiro trimestre de 2027 e equilíbrio próximo de zero no segundo. No terceiro trimestre, com maior disponibilidade brasileira, o saldo pode passar para um superávit próximo de 1,8 milhão de toneladas. No início de 2028, o balanço volta a apontar déficit expressivo.
“A produção brasileira será fundamental para o equilíbrio do mercado, especialmente a partir da segunda metade de 2027. Entretanto, o aumento da oferta no Centro-Sul não elimina o aperto previsto para o primeiro semestre, quando os fluxos internacionais devem refletir com maior intensidade as perdas do Hemisfério Norte”, afirma Di Bonifacio.

A menor oferta também deve reduzir os estoques mundiais. Para 2026/27, a StoneX estima queda de 1,2%, para 74,3 milhões de toneladas. A relação entre estoques e consumo deve recuar de 38,9% para 38,2%, aproximando-se novamente do nível registrado em 2024/25.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *