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Fretes agrícolas recuam em parte das rotas, mas seguem acima de 2025

Exportações de grãos e custos sustentam mercado logístico

Os preços dos fretes agrícolas apresentaram comportamentos distintos nas principais rotas de escoamento do país em junho. Embora diversos corredores tenham registrado queda em relação a maio, as tarifas permaneceram acima das verificadas no mesmo período de 2025, refletindo o volume da safra, os custos operacionais e o desempenho das exportações brasileiras de grãos. Os dados constam no Boletim Logístico de junho, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O cenário foi influenciado pelo avanço da safra 2025/26 e pelo ritmo dos embarques ao mercado externo. No acumulado do primeiro semestre, o Brasil exportou 69,5 milhões de toneladas de soja, volume 7,12% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. As exportações de milho somaram 7,9 milhões de toneladas, alta de 22,13% na mesma comparação, mantendo aquecida a demanda por transporte em diversos corredores logísticos.

Embora o levantamento tenha como foco as cadeias de grãos, o comportamento dos fretes também é acompanhado pelo setor sucroenergético. A dinâmica do transporte rodoviário influencia a movimentação de açúcar e etanol em diferentes regiões produtoras e afeta os custos logísticos da distribuição de insumos utilizados no cultivo da cana-de-açúcar.

Centro-Oeste concentra as maiores oscilações

Em Mato Grosso, principal produtor de grãos do país, 72% das rotas monitoradas registraram recuo nas tarifas frente a maio. As variações oscilaram entre queda de 8% e alta de mesma magnitude. Mesmo com a colheita da segunda safra de milho em andamento, o volume de embarques ficou abaixo do esperado, enquanto o aumento da demanda interna pelo cereal e a predominância de trajetos mais curtos reduziram parte da pressão sobre os fretes.

Em Mato Grosso do Sul, os preços permaneceram relativamente estáveis. Metade dos trechos pesquisados registrou aumento, sustentado principalmente pelos custos operacionais do transporte e pelo fluxo contínuo de cargas agrícolas.

Em Goiás, predominou o movimento de queda, especialmente nas rotas com origem em Cristalina e Bom Jesus de Goiás. No Distrito Federal, todas as rotas pesquisadas apresentaram retração de até 4% em relação a maio, cenário associado ao encerramento do pico de escoamento da soja e do milho e à estabilidade do diesel, que continua em patamar elevado na comparação anual.

Norte e Nordeste seguem em direções opostas

Na Bahia, os fretes permaneceram estáveis ou recuaram em todas as rotas avaliadas. Em Luís Eduardo Magalhães, importante polo produtor do oeste baiano, algumas tarifas caíram até 7%, resultado da menor demanda após o pico de embarques registrado em abril e do aumento da oferta de transportadores.

O movimento foi diferente no Maranhão e no Piauí. Em regiões como Balsas e Tasso Fragoso, a demanda voltou a crescer após o encerramento da colheita da soja, favorecendo a valorização dos fretes. No Piauí, além dos embarques para exportação, a alta dos combustíveis também contribuiu para a elevação das tarifas.

Sul e Sudeste mantêm mercado equilibrado

Em São Paulo, a maior parte das rotas apresentou estabilidade ou pequenas altas. Apesar do atraso da colheita em algumas localidades, a procura por transporte aumentou com a intensificação do escoamento da produção.

Em Minas Gerais, os preços permaneceram praticamente estáveis, com leve tendência de queda. No Paraná, o início da colheita do milho de segunda safra elevou a demanda por caminhões nas principais regiões produtoras, enquanto os custos continuaram influenciados pelo preço dos combustíveis.

Arco Norte amplia participação nas exportações

O boletim mostra ainda o fortalecimento do Arco Norte como corredor de exportação. No primeiro semestre, os portos da região responderam por 35,4% dos embarques nacionais de milho e por 39,1% das exportações de soja. Na sequência aparecem os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que seguem entre os principais terminais de escoamento da produção brasileira.

No segmento de insumos, as importações de fertilizantes alcançaram 18,31 milhões de toneladas até junho, volume 5,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. O comportamento desse mercado também é acompanhado pelo setor sucroenergético, já que a disponibilidade e os custos desses produtos influenciam diretamente o planejamento da próxima safra de cana. Com o avanço da colheita da segunda safra de milho e a continuidade das exportações, o mercado acompanhará nas próximas semanas o comportamento da demanda por transporte nos principais corredores logísticos do país.

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