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GAFFFF aproxima campo e cidade em meio a novos desafios do agro

Festival reúne mais de 100 palestrantes em São Paulo

O Global Agribusiness Festival (GAFFFF) abriu a edição de 2026 nesta quinta-feira (1º), em São Paulo – SP, colocando no mesmo debate o avanço da produção brasileira e os desafios para sustentar a competitividade do setor. Tecnologia, crédito, mercado internacional, energia e segurança alimentar estão entre os temas discutidos por mais de 100 palestrantes.

Na abertura, o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, defendeu maior aproximação entre o campo e os centros urbanos. Segundo ele, realizar o festival na maior metrópole brasileira ajuda a mostrar à população urbana as particularidades da produção rural e sua participação no desenvolvimento econômico.

O sócio-diretor da XP, Rafael Furlanetti, apontou a agregação de valor como uma nova fronteira para o setor. Depois de ganhar espaço entre os principais produtores agrícolas do mundo, o país precisa ampliar também o reconhecimento de seus produtos no exterior.

“O agro brasileiro precisa se posicionar como marca na comunidade internacional, destacando, sobretudo, seus atributos de sustentabilidade, sanidade, diversidade, volume e qualidade”, afirmou.

Produção cresce e amplia desafios de competitividade

O avanço conquistado nas últimas décadas apareceu nos debates do primeiro dia. Há cerca de 50 anos, o Brasil importava 30% dos alimentos. Atualmente, exporta para aproximadamente 200 países e ocupa a liderança mundial em sete commodities.

Há espaço para aumentar a produção sem incorporar novas áreas de vegetação nativa. Cerca de 30% do território brasileiro é utilizado pela agropecuária, enquanto aproximadamente 40 milhões de hectares degradados poderiam ser recuperados para uso produtivo.

O financiamento permanece entre os pontos de atenção. O Plano Safra movimenta entre R$ 500 bilhões e R$ 600 bilhões por ano. O BNDES destacou uma linha em dólar para exportadores, com custo próximo de 8% ao ano, diante de uma Selic ao redor de 14%. O volume dessas operações passou de R$ 1 bilhão para R$ 5 bilhões por ano.

No mercado de insumos, crédito mais restrito e aumento da inadimplência reforçaram a análise de risco. Capacidade de pagamento e garantias ganharam peso nas negociações, enquanto distribuidores avançam também na oferta de crédito, serviços e assistência técnica.

Grãos entram em novo ciclo de preços

A DATAGRO identifica sinais de um novo ciclo de valorização dos grãos a partir de 2026, com possibilidade de continuidade em 2027. A menor oferta mundial de milho e trigo, após problemas nas safras dos Estados Unidos e da Europa, ocorre em um período de redução dos estoques e crescimento do consumo.

A soja também tem perspectiva de valorização, embora parta de uma disponibilidade global maior. Para Flávio França Jr., líder de Grãos da DATAGRO, estoques menores e avanço da demanda internacional podem sustentar as cotações mesmo diante dos ganhos de produtividade.

No Brasil, o potencial produtivo convive com limitações estruturais. França citou a falta de políticas de longo prazo, insegurança fundiária, juros elevados e endividamento entre os fatores que dificultam uma expansão mais forte da agricultura.

O clima adiciona incerteza à próxima safra. Segundo o analista, um El Niño forte pode reduzir as chuvas em algumas regiões produtoras.

A regulação internacional também entrou na discussão. Sarah McLeeson, gerente de Política Comercial do U.S. Grains and Bioproducts Council, defendeu maior aproximação entre as normas adotadas pelos países para reduzir entraves ao comércio de grãos e coprodutos. Regras para organismos geneticamente modificados e para o mercado de insumos estão entre os pontos acompanhados pelo setor.

Tecnologia amplia espaço dentro das propriedades

Dados e inteligência artificial avançam nas decisões de empresas e produtores. Durante o evento, a Scheffer apresentou aplicações dessas ferramentas e destacou a troca de informações entre agricultores, pesquisadores e empresas de tecnologia.

A Corteva prevê cerca de US$ 11 bilhões para o desenvolvimento de novas substâncias nos próximos anos. Os planos incluem parcerias, investimentos em empresas em estágio inicial e integração de soluções químicas e biológicas.

O avanço do milho segunda safra e da indústria de etanol de milho em Mato Grosso também foi citado como exemplo da transformação da produção. A industrialização criou uma fonte adicional de demanda pelo cereal e aumentou a agregação de valor nas regiões produtoras.

Em Sorriso – MT, um dos principais polos agrícolas do país, o crescimento do setor já pressiona o planejamento urbano. Segundo o prefeito Alei Fernandes, o município cresce entre 10% e 12% ao ano e trabalha com um horizonte de planejamento de 30 anos.

As exigências de sustentabilidade e rastreabilidade completam esse quadro. Certificações e tecnologias ganham importância para manter o acesso aos mercados externos, enquanto produtores discutem até que ponto os compradores estão dispostos a remunerar os custos adicionais dessas exigências.

O vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Arnaldo Jardim, destacou outra frente de expansão do setor ao associar a produção agrícola à oferta de energia. “Segurança alimentar e energética não se contrapõem, sendo sim complementares”, ressaltou.

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