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Bioinsumos devem crescer até 7% em valor e 10% em volume em 2026

Pressão sobre preços reduz avanço em receita, mas adoção segue em alta

O mercado brasileiro de bioinsumos deve encerrar 2026 com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de cerca de 10% em volume, na comparação com o ano passado, segundo projeção da ANPII Bio, associação que reúne empresas do setor. A estimativa considera a retomada das compras esperada para o segundo semestre, após um primeiro semestre marcado por cautela dos produtores e pressão sobre os preços.

Entre janeiro e junho, o volume comercializado avançou 7% em relação ao mesmo período de 2025. Em receita, porém, o mercado ficou estável. A diferença reflete a redução dos preços médios e o adiamento de parte das compras de insumos agrícolas.

A desaceleração ganhou força no segundo trimestre, com o aumento das incertezas sobre os preços de fertilizantes e das principais commodities agrícolas. Diante desse cenário, produtores postergaram decisões de compra e concentraram parte dos pedidos nas proximidades do início do plantio da safra de verão.

“O crescimento em volume mostra que a adoção dos bioinsumos continua avançando, mesmo em um ambiente mais desafiador”, afirma Larissa Bonotto, diretora de operações da ANPII Bio. Segundo ela, a diferença entre volume e valor também evidencia a pressão sobre os preços médios, tendência observada pelo setor nos últimos anos.

Os dados fazem parte da Plataforma de Inteligência de Mercado da ANPII Bio, apresentada às empresas associadas no fim de agosto pela 5P2R Marketing de Precisão. A base reúne uma série histórica desde 2009 e, em 2026, contempla 30 empresas.

Produtos combinados ganham espaço

Além do aumento do volume, a composição das vendas indica mudanças no perfil da oferta. Entre os biodefensivos, ganharam participação produtos que reúnem mais de uma classe de uso, como nematicidas-fungicidas e acaricidas-inseticidas biológicos. Nos inoculantes, avançam formulações que combinam diferentes espécies de microrganismos.
No primeiro trimestre, essas categorias responderam por 22% do valor das vendas, ante 16% em 2025. O movimento indica uma ampliação do portfólio para além dos produtos tradicionais, especialmente nos inoculantes baseados em Bradyrhizobium e Azospirillum.

Para Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, a mudança no mix acompanha a diversificação das empresas e a busca por soluções integradas ao manejo agrícola.

A própria estrutura da indústria acompanhada pela plataforma mudou nos últimos anos. Em 2026, 15 das 30 empresas analisadas atuam simultaneamente nos mercados de inoculantes e defensivos biológicos. Em 2022, eram 26% das companhias monitoradas com presença nos dois segmentos.

“A indústria está ampliando seus portfólios e incorporando tecnologias com diferentes funcionalidades e combinações de microrganismos”, diz Ribeiro.

A expansão do portfólio ocorre em um mercado que também passou a reunir empresas com atuação em diferentes etapas e categorias da cadeia de produtos biológicos. A diversificação reduz a concentração histórica em soluções de aplicação mais específica e amplia as possibilidades de uso dentro das propriedades.

Regulamentação entra na fase final

O avanço comercial ocorre enquanto o setor aguarda a conclusão da regulamentação da Lei dos Bioinsumos, a Lei nº 15.070/2024. A expectativa da ANPII Bio é que o decreto regulamentador seja publicado nas próximas semanas. Depois disso, deverão ser discutidas portarias e outros atos infralegais necessários para colocar o novo marco em prática.
Para a associação, a regulamentação é necessária para aumentar a previsibilidade das regras e acompanhar a expansão de uma indústria que ampliou investimentos, escala e variedade de produtos.

“A regulamentação poderá contribuir para dar mais segurança e previsibilidade aos investimentos e ao desenvolvimento de novas soluções”, afirma Bonotto. Segundo ela, a etapa seguinte será estabelecer regras aplicáveis às diferentes tecnologias biológicas, levando em conta suas características e necessidades operacionais.

A entidade defende que a regulamentação preserve os avanços obtidos durante a elaboração da lei e do decreto e combine critérios de segurança, inovação e proporcionalidade. Também considera necessário que as regras sejam compatíveis com a realidade da indústria e com as necessidades dos produtores.

Criada em 1990, a ANPII Bio informa que atualmente reúne 34 associadas efetivas e 27 colaboradoras. A entidade atua na discussão regulatória do setor e mantém parcerias com instituições de pesquisa, entre elas a Embrapa.

Além do mercado

A próxima etapa de desenvolvimento do setor deverá ocorrer não apenas pela expansão das vendas, mas também pela consolidação de critérios regulatórios capazes de acompanhar a diversidade crescente de produtos. Com mais empresas atuando simultaneamente em diferentes categorias e formulações mais complexas ganhando participação, a definição das regras de registro, produção e comercialização passa a ter impacto direto sobre a velocidade de lançamento de novas tecnologias.

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