Mercado agrícola entra na semana com sinais distintos
Oferta, exportações e avanço das safras orientam as commodities
A combinação entre avanço das safras, oferta internacional e mudanças nos fluxos de comércio deve continuar influenciando os mercados agrícolas nesta semana. Soja e milho concentram as atenções diante da colheita nos Estados Unidos, do plantio brasileiro e da maior concorrência entre países exportadores.
A avaliação consta do Conexão Mercado Agro, relatório semanal do Banco do Brasil divulgado na sexta-feira (25), com perspectivas para o período de 28 de setembro a 2 de outubro.
Na soja, as cotações em Chicago oscilaram em uma faixa estreita na última semana. As vendas externas dos Estados Unidos somaram 1,7 milhão de toneladas, dentro das expectativas, com a China como principal compradora. O contrato para novembro de 2026 encerrou o período com valorização de 1,30%.
No Brasil, os preços permaneceram firmes na maior parte das regiões produtoras. Segundo o BB, os prêmios positivos nos portos e a baixa disponibilidade no mercado físico deram sustentação às cotações, diante da postura mais cautelosa dos vendedores.
Colheita nos EUA divide atenção com plantio brasileiro
Para esta semana, o avanço da colheita norte-americana tende a ampliar a disponibilidade de soja e exercer pressão sazonal sobre Chicago. A continuidade das compras externas, por outro lado, pode limitar quedas mais acentuadas.
No Brasil, o mercado acompanha o plantio da safra 2026/27 e as condições de umidade no Centro-Oeste. As previsões indicam melhora das chuvas nas áreas onde a janela de semeadura está aberta, mas eventuais atrasos, caso persistam restrições hídricas, podem acrescentar prêmio climático às cotações.
No milho, a concorrência internacional ganhou peso. A Argentina praticamente concluiu uma colheita estimada em 64 milhões de toneladas, ante 56 milhões na temporada anterior, e projeta exportações de 40 milhões. Nos Estados Unidos, a produção é estimada em 401,3 milhões de toneladas, com embarques de 83,2 milhões previstos para 2026/27.
No mercado brasileiro, a programação de exportações para setembro chegou a 6 milhões de toneladas, abaixo das 7,5 milhões embarcadas no mesmo período de 2025. Apesar do ritmo menor dos embarques, os preços médios nas principais praças avançaram 1,2% entre os dias 21 e 25.
Concorrência externa ganha peso no milho
A entrada da safra dos Estados Unidos e a competitividade argentina aumentam a disputa pelo mercado internacional. Segundo o BB, esse cenário tende a restringir movimentos mais fortes de valorização, enquanto o desempenho das exportações brasileiras permanece no radar.
Na quarta-feira (30), o mercado também acompanhará a divulgação do relatório trimestral de estoques dos Estados Unidos. Volumes acima das expectativas podem pressionar Chicago, enquanto números menores podem oferecer suporte às cotações.
Em outubro, a competição com Argentina e Estados Unidos deve ganhar importância para o milho brasileiro. O BB avalia que preços mais competitivos nessas origens podem pressionar os prêmios nos portos e direcionar parte da demanda para outros fornecedores.
Café e boi gordo completam o cenário
No café, as exportações brasileiras alcançaram 4,16 milhões de sacas em agosto, alta de 31% sobre igual mês de 2025. A maior disponibilidade, o clima favorável no Brasil e no Vietnã e as floradas antecipadas contribuíram para pressionar as cotações internacionais.
No boi gordo, a menor oferta de animais terminados sustentou os preços. O indicador do Cepea alcançou R$ 357,40 por arroba em 23 de setembro, enquanto as escalas de abate variaram de quatro a 12 dias, conforme a região. Os contratos futuros para novembro e dezembro permanecem próximos de R$ 390 por arroba. O ritmo das exportações, o consumo doméstico e a disponibilidade de animais terminados estão entre as variáveis acompanhadas para o último trimestre.
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