Cana Summit 2026 destaca resiliência do produtor e futuro do setor
Evento em Ribeirão Preto reúne lideranças e debate cenário da cana
Os 50 anos da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA) foram comemorados com a realização do Cana Summit 2026, nos dias 15 e 16 de abril, em Ribeirão Preto – SP, reunindo autoridades, especialistas e produtores para discutir o futuro do setor sucroenergético.
A abertura do evento, realizada em quarta-feira (15), no Taiwan Centro de Eventos, destacou a resiliência do produtor diante de um cenário marcado por custos elevados, instabilidade climática e mudanças no mercado global de energia. A Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste) participou do encontro com sua diretoria, funcionários e associados.
A programação contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, além de representantes da cadeia produtiva e do setor público. Também participaram dirigentes da ORPLANA, parlamentares, lideranças empresariais e entidades do agronegócio.
Freitas destacou a relevância da cana-de-açúcar para a economia paulista e o papel dos produtores. “Temos a maior área plantada de cana-de-açúcar, que representa por volta de 28% das nossas exportações. A prosperidade do agro nasce do trabalho e da coragem do produtor”, afirmou. Segundo ele, o Estado deve atuar para manter a competitividade da atividade.
Riedel ressaltou o papel estratégico da canavicultura no cenário internacional. “Estamos em plena crise global do petróleo. Se não fosse o trabalho dos produtores de cana, a crise seria maior. O Brasil tem uma base estruturada que sustenta essa resposta”, disse.
Produtor no centro das decisões
O CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira, destacou a dimensão da entidade e o simbolismo da edição. “São 35 associações, mais de 12 mil produtores e dezenas de milhares de famílias envolvidas na produção de alimento e energia”, afirmou.
O presidente do Conselho Deliberativo da ORPLANA, Roberto Cestari, reforçou o papel do produtor. “É o produtor que assume risco, enfrenta custo elevado e clima incerto e ainda entrega resultado. A evolução do setor depende de regras claras, previsibilidade e confiança”, disse.
Ao longo do primeiro dia, foram realizados cinco painéis sobre geopolítica, energia, mercado e capital, com foco na realidade do campo no Centro-Sul. No debate sobre etanol e petróleo, especialistas avaliaram os impactos do cenário internacional sobre a produção brasileira.
Segundo Luiz Carlos Correa Carvalho, vice-presidente da Abag e diretor da Canaplan, a dinâmica global de energia tem se alterado. “Em 2025, mais de 80% do petróleo e 90% do gás do Golfo foram destinados à Ásia, o que reforça o peso geopolítico do Estreito de Ormuz e influencia o sistema global”, afirmou.
Mercado e transformação da cana
O painel sobre o futuro da atividade discutiu a competitividade da cana-de-açúcar frente a novas rotas tecnológicas e ao avanço do etanol de milho. A avaliação é de que a cultura mantém relevância, com base em inovação e integração industrial.
José Guilherme Nogueira destacou a necessidade de adaptação. “A cana-de-açúcar não vai acabar. O milho é competitivo, as usinas avançam para biorrefinarias e a cana segue evoluindo com base tecnológica”, afirmou.
A programação incluiu ainda debates sobre produção, perfil do produtor e inserção da cana no mercado de capital, ampliando a análise sobre os desafios da safra 2026/27.
Nesta quinta-feira (16), o evento encerrou a programação com painéis sobre substituição do diesel por etanol e impactos da reforma tributária, além da formalização do Memorando de Entendimento entre ORPLANA e União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), com novas diretrizes para o Consecana-SP.
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