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Inflação desacelera em julho e safra brasileira deve crescer 2% em 2026

IPCA avança 0,07% no mês enquanto produção de grãos pode chegar a 353 milhões de toneladas

A inflação brasileira perdeu força em julho, enquanto as novas estimativas para a produção agrícola apontaram crescimento da safra em 2026. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, registrou alta de 0,07% no mês e acumulou avanço de 4,44% em 12 meses, segundo levantamento semanal do Banco Pine.

Entre os componentes do índice, os preços livres acumulam alta de 4,2% em 12 meses, enquanto os administrados avançam 5,1%. A média das medidas de núcleo ficou em 0,26% em julho, praticamente estável em relação aos 0,27% registrados no mesmo período de 2025.

A inflação de serviços, por outro lado, acelerou de 0,34% para 0,54% no mês e acumula 5,9% em 12 meses. Os serviços subjacentes, que excluem componentes considerados mais voláteis, tiveram alta de 0,42% em julho e acumulam avanço de 4,9% no período de um ano.

Safra pode alcançar 353 milhões de toneladas

No agronegócio, a nova estimativa do IBGE indica produção de 353 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. Caso a projeção se confirme, o volume representará crescimento de 2% sobre as 346,1 milhões de toneladas registradas em 2025.

A soja permanece como principal destaque, com produção estimada em 174,9 milhões de toneladas, aumento de 5,3% na comparação anual. Para o milho, o levantamento aponta comportamentos distintos entre as safras. A primeira deve crescer 16,4%, enquanto a segunda tem previsão de recuo de 3,6%. Juntas, devem resultar em produção de 141,8 milhões de toneladas.

No arroz, a perspectiva é de retração. A produção está projetada em 11,2 milhões de toneladas, queda de 11,3% em relação ao ano anterior. Soja, milho e arroz respondem, juntos, por 92,9% da produção nacional de grãos e por 87,4% da área prevista para colheita.

Serviços ficam estáveis e varejo avança em junho

Fora do campo, os indicadores divulgados ao longo da semana mostraram uma atividade econômica com resultados distintos. O setor de serviços ficou estável em junho, com variação de 0%, mas ainda acumula crescimento de 2,6% em 12 meses. No segundo trimestre, houve expansão de 0,4% em relação aos três primeiros meses do ano.

Os serviços de informação e comunicação cresceram 1,6%, enquanto os profissionais avançaram 1,2% e os prestados às famílias, 0,7%. Na direção contrária, transportes recuaram 0,7% e o grupo de outros serviços apresentou queda de 1,6%.

O comércio varejista registrou alta de 0,5% em junho e crescimento de 2,9% na comparação anual. No varejo ampliado, a expansão em 12 meses chegou a 4,9%. Na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre, porém, as vendas recuaram 0,4% no varejo e 1% no conceito ampliado.

Entre os segmentos que pressionaram o resultado estiveram combustíveis e lubrificantes, com retração de 2,4%, e materiais de construção, com queda de 1,6%. Os números reforçam um cenário em que a desaceleração da inflação convive com sinais ainda irregulares da atividade econômica.

Mercado acompanha inflação e ritmo da atividade

Nos mercados, o levantamento do Banco Pine de sexta-feira (14) mostrou o real cotado a R$ 5,245 por dólar, com valorização de 3,13% em cinco dias. O Ibovespa encerrou o período em 164.984,18 pontos, queda de 4,36%, enquanto o swap Pré-DI de um ano alcançou 14,01%, com avanço de 21,6 pontos-base.

O CDS brasileiro de cinco anos subiu 1,37%, para 123,58 pontos, enquanto o ouro avançou 0,79%, para US$ 4.376,5 por onça. Os próximos indicadores de inflação e atividade devem ganhar peso na avaliação do mercado sobre a trajetória dos juros, enquanto, no campo, o avanço projetado para a safra mantém no radar os efeitos de uma oferta maior de grãos sobre preços, custos e margens do produtor.

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