Be8 investe R$ 1,5 bilhão em planta de etanol multicereais no RS
Unidade em Passo Fundo terá trigo entre as matérias-primas
A Be8 vai investir R$ 1,5 bilhão em uma planta multicereais em Passo Fundo (RS), que terá o trigo entre as matérias-primas para a produção de etanol. O projeto também prevê a fabricação de glúten vital e coprodutos destinados à nutrição animal e deve criar uma nova demanda para cereais produzidos no Rio Grande do Sul.
Para garantir o abastecimento da unidade, a companhia pretende formar uma rede de agricultores parceiros e comprar 100% da produção contratada. O modelo inclui ainda apoio ao planejamento das culturas e à rotação das áreas, com a combinação de diferentes cultivos ao longo do ano.
A estratégia foi apresentada durante a Noite dos Cereais, realizada na Casa Be8, na Expointer, com produtores, representantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e lideranças do setor.
“Estamos falando sobre a construção de uma cadeia produtiva completa. Queremos atuar ao lado do produtor, ajudando a planejar as culturas, estimular uma rotação mais eficiente e assegurar mercado para a produção”, afirma Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8.
Segundo a companhia, a possibilidade de processar diferentes cereais permitirá ajustar o abastecimento da indústria à disponibilidade das matérias-primas e ao planejamento das propriedades participantes do projeto.
Trigo ganha nova demanda
O trigo é uma das culturas no centro da estratégia. A empresa pretende estimular sua produção no Rio Grande do Sul ao oferecer uma demanda industrial adicional aos mercados tradicionais de panificação e alimentação animal.
A Farsul apoia o projeto e avalia que o avanço dos biocombustíveis pode ampliar as alternativas comerciais para os cereais de inverno produzidos no Estado.
“O fortalecimento da cadeia do biodiesel e o crescimento do etanol de cereais são motores que transformam nossa agricultura”, afirma Domingos Velho Lopes, presidente do Sistema Farsul.
A combinação de demanda industrial, planejamento produtivo e contratos de compra é apontada como uma forma de tornar o trigo mais atrativo economicamente. A estratégia considera também o resultado conjunto das culturas utilizadas em rotação.
“Para que o projeto industrial seja sustentável, precisamos construir uma relação sólida com quem produz. A planta multicereais permite olhar para o sistema produtivo como um todo, considerando a rotação e a combinação de culturas que ofereçam os melhores resultados agronômicos e econômicos para cada propriedade”, diz Battistella.
Durante o evento, o economista Antonio da Luz apresentou uma análise econômica do sistema trigo-soja, considerando o resultado global da propriedade, a rotação de culturas, o aproveitamento da área e a rentabilidade ao longo do ciclo produtivo.
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