Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

El Niño eleva risco de incêndios em 399 municípios do Centro-Oeste

Período seco aumenta pressão sobre áreas rurais e reforça ações preventivas

A intensificação do El Niño prevista para setembro e outubro aumenta a preocupação com incêndios florestais no Centro-Oeste. Levantamento do governo federal coloca 399 municípios da região sob monitoramento diante do avanço do período seco, cenário que amplia a necessidade de prevenção em propriedades rurais e áreas de vegetação nativa.

Do total de municípios monitorados, 23 estão em alerta vermelho, 154 em laranja e 222 em amarelo. A região reúne áreas de Cerrado, Pantanal e Amazônia, biomas mais expostos ao fogo durante os meses de estiagem.

Para Ane Alencar, membro da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o período exige atenção redobrada. “O país entra agora no período em que o risco de grandes incêndios se intensifica, sobretudo no Cerrado e na Amazônia, em razão da fase de seca, característica dos próximos meses”, afirma.

O plano federal de prevenção e mitigação dos efeitos do fenômeno climático prevê R$ 337 milhões para ações de prevenção e combate a incêndios florestais. Outros R$ 527 milhões do Fundo Amazônia devem ser destinados ao aparelhamento dos Corpos de Bombeiros dos estados das regiões Norte e Centro-Oeste.

Prevenção ganha espaço na estratégia contra o fogo

Na avaliação de Alencar, os investimentos ampliam a capacidade de resposta, mas o controle dos incêndios também depende das condições climáticas e da consolidação de políticas públicas permanentes. Em 2025, segundo ela, a estação chuvosa mais prolongada reduziu a janela favorável à propagação das chamas.

Uma das iniciativas nessa direção foi a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída em 2024. A medida busca fortalecer a articulação entre os órgãos responsáveis pela prevenção e pelo combate, além de ampliar a atuação nos estados e municípios.

“A política começou a ser implementada recentemente, e seus resultados dependem de ganhar escala nos estados e municípios, com orçamento, equipes e planos territoriais”, diz Alencar. Para ela, a estrutura pode reduzir a dependência de condições climáticas favoráveis para conter o avanço dos incêndios.

A antecipação das áreas de maior risco também é apontada como parte da estratégia. A identificação dos territórios mais vulneráveis antes do início da estação seca permite direcionar equipes e recursos para regiões com maior probabilidade de registrar grandes ocorrências.

Produtor rural tem papel estratégico na prevenção

A participação dos produtores rurais é considerada essencial porque parte relevante das ignições está associada à ação humana. Entre as medidas recomendadas estão o planejamento do uso autorizado do fogo, o respeito aos períodos de proibição, a manutenção de aceiros e o acompanhamento das condições meteorológicas antes de atividades que possam provocar focos.

A proteção de nascentes, matas ciliares e reservas legais também contribui para diminuir a vulnerabilidade das propriedades. Segundo Alencar, recuperar áreas degradadas e conservar a vegetação nativa aumenta a resiliência da paisagem e reduz riscos para a própria atividade produtiva.

A especialista defende ainda a ampliação dos Planos de Manejo Integrado do Fogo e recursos permanentes para ações preventivas e brigadas. A redução do desmatamento e da degradação florestal completa a estratégia, principalmente na Amazônia, onde áreas fragmentadas ou atingidas anteriormente pelas chamas ficam mais suscetíveis a novos episódios.

“Talvez a principal lição seja que o sucesso não deveria ser medido apenas pelo número de incêndios que conseguimos apagar, mas por aqueles que conseguimos evitar”, afirma Alencar. A Coalizão defende ainda maior integração entre União, estados, municípios e produtores rurais, além da adoção de estratégias específicas para cada bioma. A proposta é consolidar a prevenção como política permanente, com orçamento, estrutura e capacidade operacional antes dos períodos de maior risco.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *