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Pesquisador do Instituto Biológico participa da identificação de novo gênero de nematoide no país

Espécie encontrada em folhas de corda de viola amplia o conhecimento sobre a biodiversidade e valoriza a tradição da nematologia brasileira

Um grupo de nematologistas brasileiros descreveu um novo gênero e uma nova espécie de nematoide foliar no Brasil, com a participação do pesquisador Cláudio Marcelo Gonçalves Oliveira, do Instituto Biológico. O organismo, denominado Monteironema caresi, foi identificado parasitando plantas do gênero Ipomoea, conhecidas como corda de viola, ampliando o mapeamento da diversidade de nematoides associados às plantas no país.

A denominação do novo táxon presta homenagem a dois nomes de referência da área, os professores Ailton Rocha Monteiro, da Esalq USP, e Juvenil Enrique Cares, da Universidade de Brasília. A junção dos sobrenomes simboliza a contribuição científica e o papel formador exercido por ambos ao longo de décadas na consolidação da nematologia brasileira.

Da observação em campo à análise em laboratório

A pesquisa teve início quando o professor Robert Weingart Barreto identificou, no campus da Universidade Federal de Viçosa, folhas de Ipomoea cairica e Ipomoea syringifolia com sintomas típicos de ataque de nematoides foliares. O material foi encaminhado ao laboratório de nematologia da instituição, dando início ao processo de análise taxonômica.

A investigação foi conduzida por uma equipe liderada pela professora Dalila Sêni Buonicontro, em colaboração com pesquisadores do Instituto Biológico e de outras instituições nacionais e internacionais. O trabalho envolveu análises morfológicas detalhadas e estudos moleculares, que indicaram que o organismo não se enquadrava em nenhum gênero previamente descrito da família Anguinidae.

Avanços para a taxonomia e o manejo de plantas invasoras

Os resultados confirmaram tratar se de uma linhagem independente, o que levou à criação formal de um novo gênero e espécie. O estudo foi publicado no Russian Journal of Nematology, periódico especializado na área.

Segundo Oliveira, a descoberta reforça a relevância da taxonomia integrativa para o avanço do conhecimento científico. Ele destaca que a combinação de dados morfológicos e genéticos é essencial para a delimitação precisa de espécies e demonstra que mesmo grupos amplamente estudados ainda podem revelar organismos desconhecidos.

Além do ganho acadêmico, o pesquisador avalia que o trabalho contribui para o entendimento das interações entre nematoides e plantas hospedeiras. Esse conhecimento pode, no futuro, apoiar estratégias de manejo de espécies invasoras como a corda de viola, que compete com culturas agrícolas em diferentes regiões tropicais. Entre os próximos passos estão estudos em casa de vegetação para avaliar o potencial de parasitismo em outras plantas e mapear a distribuição geográfica do nematoide.

Os indivíduos adultos de Monteironema caresi medem entre 0,4 e 0,9 milímetro e apresentam três formas distintas, com fêmeas semi obesas, fêmeas imaturas e machos delgados. O corpo é fusiforme, com cutícula finamente estriada e estilete curto e robusto, utilizado para perfurar os tecidos vegetais. Diferentemente de muitas espécies da família, associadas à formação de galhas, o novo nematoide está relacionado a manchas foliares, um sintoma menos frequente e de interesse para estudos ecológicos e de fitopatologia.

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