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Setor de fertilizantes alerta para queda nas entregas ao produtor

Empresas trabalham com redução de 10% a 20% diante do crédito mais caro

O setor de fertilizantes vê risco de redução nas entregas ao produtor rural diante dos juros elevados, das restrições de crédito e do aumento dos custos de produção. Empresas da cadeia já trabalham com a possibilidade de queda de 10% a 20% nos volumes, dependendo da cultura, da região e das condições financeiras dos agricultores.

Segundo entidades que representam a distribuição, industrialização e mistura de fertilizantes no país, o principal ponto de atenção não é a disponibilidade física dos produtos. Os volumes destinados à atual safra foram internalizados em níveis compatíveis com a demanda prevista, mas há preocupação com a capacidade de compra do produtor.

“As empresas do setor já trabalham com a possibilidade de redução de 10% a 20% nas entregas de fertilizantes, dependendo da cultura, da região e das condições financeiras”, afirma Aluisio Schwartz Teixeira, presidente do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná, o Sindiadubos.

Segundo ele, uma eventual retração pode resultar em menor adubação e investimento em tecnologia, com reflexos sobre a produtividade das próximas safras.

Custos aumentam pressão sobre o setor

O cenário ganha peso diante da dependência brasileira do mercado externo. Segundo as entidades, mais de 90% dos fertilizantes consumidos no país são importados, deixando a cadeia mais exposta às oscilações internacionais e às tensões geopolíticas.

No mercado interno, o setor aponta como fatores de pressão a incidência de 4% de ICMS sobre as importações de fertilizantes, introduzida pelo Convênio ICMS 26/2022, mudanças na sistemática de PIS/Cofins e os custos do transporte rodoviário relacionados à política de pisos mínimos de frete.

Também são citadas as instabilidades no mercado internacional e a redução ou fechamento de unidades e ativos industriais de fertilizantes no Brasil.

Entidades defendem redução de custos

Para enfrentar o cenário, a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil, AMA Brasil, e sindicatos da indústria de adubos e corretivos agrícolas defendem a eliminação de ICMS e PIS/Cofins incidentes sobre fertilizantes e insumos, renegociação das dívidas rurais e ampliação do crédito.

As propostas incluem ainda o fortalecimento do seguro rural e a revisão das distorções apontadas na política de fretes. As entidades defendem uma atuação conjunta entre poder público, instituições financeiras, produtores e demais agentes da cadeia.

“Reduzir o custo do fertilizante é reduzir o custo da agricultura. Garantir condições para o produtor investir hoje é proteger a produtividade, a competitividade e a segurança alimentar do Brasil amanhã”, conclui a nota conjunta.

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