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Bioinsumos ganham espaço e podem elevar produtividade da cana

Andreote destaca avanço do manejo biológico no BioShow

O avanço dos bioinsumos na agricultura brasileira já se reflete no campo e na tomada de decisão dos produtores. Segundo o professor Fernando Dini Andreote, da ESALQ, metade das áreas cultivadas no país utiliza algum insumo biológico e 80% dos gestores consideram essas ferramentas no planejamento das safras.

A evolução, consolidada em pouco mais de uma década, indica mudança estrutural no manejo agrícola. No caso da cana-de-açúcar, a adoção de estratégias integradas pode resultar em incremento de 5% a 10% na produtividade, conforme relatado pelo pesquisador. “Quando eu pego um sistema que não tem nada de biológico e monto um pacote bem estruturado, os microrganismos conseguem ajudar a produzir mais cana”, afirmou.

A avaliação foi apresentada no BioShow, evento do Grupo IDEA focado em manejo biológico e produtividade da cana-de-açúcar, realizado recentemente, no Hotel Mont Blanc, em Ribeirão Preto – SP.

Base biológica sustenta o desempenho do canavial

Andreote ressaltou que o solo deve ser entendido como um sistema vivo e complexo. Na camada de 0 a 10 centímetros, concentra centenas de quilos de biomassa por hectare, milhões de células por grama e milhares de espécies. “Hoje eu tenho menos de 5% de fungos patogênicos no solo e menos de 1% das espécies que atacam plantas. O sistema é majoritariamente benéfico”, afirmou.

Apesar desse potencial, a agricultura reduz a diversidade biológica ao simplificar o ambiente. Por isso, o manejo moderno busca equilibrar o sistema, combinando inoculação de microrganismos e práticas que favoreçam a atividade biológica no solo.

Nesse contexto, os bioinsumos são divididos em quatro grupos, biodefensivos, inoculantes, mitigadores de estresse hídrico e condicionadores biológicos. Cada um atua em processos distintos, desde o controle de pragas e doenças até a ciclagem de nutrientes e a resiliência das plantas.

Eficiência depende de dose, ambiente e seleção

A escala do manejo biológico exige atenção técnica. A microbiota natural do solo varia de 10⁷ a 10⁸ células por grama, enquanto a inoculação representa apenas uma fração desse total, entre 0,01% e 0,1%. Em um hectare, a aplicação pode alcançar até 10¹² células.

Para Andreote, a eficiência não depende apenas da espécie utilizada, mas da linhagem e da validação em campo. “Não é a espécie que define o resultado. Dentro de um mesmo grupo existem indivíduos com desempenhos diferentes”, destacou.

Entre os microrganismos mais utilizados na cana-de-açúcar estão Bacillus spp., Trichoderma spp., Azospirillum brasilense e Methylobacterium symbioticum, além de fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.

A recomendação, segundo ele, deve considerar o ambiente de produção, a fase da cultura e a compatibilidade com outros insumos. A adoção do manejo biológico, nesse cenário, passa a integrar a estratégia produtiva do canavial, com foco em eficiência e estabilidade de resultados.

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