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Deriva na pulverização eleva custos e reduz eficiência no campo

Falhas na aplicação aumentam perdas, comprometem o controle e elevam riscos

A deriva durante a pulverização agrícola permanece como um dos principais fatores de perda de eficiência nas lavouras, embora muitas vezes passe despercebida pelo produtor. Em recente artigo, o químico industrial, mestre e pesquisador em Agronomia Marcelo Hilário afirma que o problema representa um “desperdício invisível”, capaz de elevar os custos de produção, reduzir a eficácia dos defensivos e ampliar os riscos ambientais.

Segundo o especialista, a deriva ocorre quando gotas, partículas ou vapores do produto aplicado se deslocam para fora da área-alvo durante ou logo após a pulverização. Como consequência, parte do investimento feito em herbicidas, fungicidas e inseticidas deixa de atingir o objetivo esperado, comprometendo o manejo e, em alguns casos, exigindo novas aplicações.

Impactos vão além da lavoura

Hilário destaca que os prejuízos não se limitam ao desperdício de produto. A perda de eficiência pode favorecer o surgimento de resistência de pragas, doenças e plantas daninhas, além de elevar os custos operacionais. Em muitos casos, observa, a falha é atribuída ao defensivo ou à dose utilizada, quando a principal causa está na qualidade da aplicação.

Os efeitos também ultrapassam os limites da propriedade. O artigo cita que aplicações mal conduzidas podem atingir culturas vizinhas, áreas de preservação, cursos d’água, apiários, moradias, animais e trabalhadores. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) define deriva como o deslocamento de gotas ou partículas de pesticidas para qualquer local diferente da área prevista para a aplicação.

Regulagem e clima fazem diferença

Entre os fatores que influenciam a deriva estão o tamanho das gotas, a velocidade do vento, a temperatura, a umidade relativa do ar, a altura da barra de pulverização e a regulagem do equipamento. O pesquisador ressalta que não existe uma configuração única para todas as situações, sendo necessário adequar a tecnologia de aplicação às características do produto, do alvo biológico e das condições climáticas.

O artigo também destaca recomendações da Embrapa para que temperatura, umidade e velocidade do vento sejam avaliadas antes da operação. Segundo a instituição, pulverizações realizadas fora da janela climática adequada podem comprometer significativamente a eficiência do tratamento.

Entre as práticas para reduzir perdas estão o uso de pontas com indução de ar ou antideriva, ajustes de pressão, manutenção da altura correta da barra e escolha adequada dos adjuvantes. Hilário cita ainda dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), segundo os quais determinadas tecnologias podem reduzir a deriva em mais de 95%, dependendo das condições de uso.

O pesquisador também defende o registro das condições de aplicação, como horário, clima, velocidade do vento, volume de calda e regulagens do equipamento, para ampliar a rastreabilidade das operações e reduzir riscos em regiões onde diferentes culturas convivem lado a lado.

Na avaliação de Hilário, o avanço da agricultura digital, com estações meteorológicas, sensores embarcados, telemetria e mapas de aplicação, amplia o controle sobre as pulverizações. Ainda assim, ele ressalta que a tecnologia não substitui a regulagem adequada dos equipamentos nem a capacitação dos operadores, fatores que devem ganhar ainda mais importância à medida que o setor busca maior eficiência produtiva e sustentabilidade.

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