Etanol amplia demanda por milho e altera fluxos logísticos
Boletim da Conab mostra reflexos do biocombustível no transporte do cereal
A expansão do etanol de milho começa a aparecer com mais força na logística da safra brasileira. O Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta mudanças no destino do cereal em importantes regiões produtoras, enquanto o país caminha para uma produção recorde de grãos na temporada 2025/26.
A estimativa da Conab é de uma colheita de 360,8 milhões de toneladas de grãos, alta de 2,4% sobre a safra anterior, ou 8,5 milhões de toneladas adicionais. A soja responde pelo maior avanço, de 9 milhões de toneladas, seguida pelo milho, com acréscimo de 1,8 milhão. A área cultivada deve alcançar 83,5 milhões de hectares, expansão de 2,1%.
No caso do milho, a Companhia observa que a expectativa de outra grande safra convive com uma mudança na demanda. O crescimento da produção de etanol a partir do cereal absorve parte da oferta e reduz o volume disponível para o mercado externo.
Bioenergia ganha espaço no destino do milho
Em Mato Grosso, maior produtor nacional do cereal, a Conab identifica uma alteração na dinâmica logística provocada pelo crescimento do consumo estadual. O movimento tem elevado a procura por transportes de curta distância, enquanto os fluxos destinados à exportação perdem participação relativa.
A mudança ocorre em um momento de menor movimentação no mercado de fretes do Estado. Apesar do avanço da colheita, os negócios e embarques de milho permaneceram mais lentos em julho, diante dos preços do cereal. Na maior parte das rotas pesquisadas pela Conab, as cotações dos fretes recuaram no mês.
Em Mato Grosso do Sul, o milho também ganhou espaço nas movimentações domésticas. Sem novos registros de embarques do cereal ao exterior em julho, parte da produção permaneceu no mercado interno e foi direcionada a indústrias locais de bioenergia, cooperativas agroindustriais e unidades ligadas à produção de proteína animal.
A Conab estima em cerca de 800 mil toneladas o volume de milho movimentado por rodovias no Estado durante o mês. Os fluxos atenderam ainda fábricas de rações e integrações de proteína animal concentradas nas regiões Sul e Sudeste.
Maranhão concentra efeito do etanol de grãos
No Maranhão, o boletim registra o envio de milho e sorgo para uma biorrefinaria de grãos instalada em Balsas. Da unidade também saem farelo de milho e DDGs, coprodutos da fabricação de etanol, destinados a mercados como Pará, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Goiás, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Entre janeiro e julho, as exportações maranhenses de milho somaram 62 mil toneladas, queda de 40,2% frente às 103,7 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025. Em julho, os embarques foram pouco representativos. A Conab relaciona esse cenário ao direcionamento do cereal produzido no Estado, principalmente, à fabricação de etanol de grãos em Balsas.
No país, o desempenho das exportações seguiu em direção oposta. Os embarques de milho alcançaram 9,8 milhões de toneladas entre janeiro e julho, ante 8,9 milhões no mesmo intervalo do ano passado. Os portos do Arco Norte responderam por 46,1% do total, enquanto Santos concentrou 22,3%. A soja manteve volume maior nos corredores de exportação. Os embarques chegaram a 82,9 milhões de toneladas nos primeiros sete meses de 2026, frente a 77,2 milhões um ano antes. O Arco Norte respondeu por 39% das cargas e o Porto de Santos, por 35,7%.
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