Mercado agrícola amplia foco em clima, custos e logística
Relatório destaca petróleo, câmbio, grãos e manejo do solo
A combinação entre clima, geopolítica, câmbio e custos de produção deve continuar no centro das decisões do agronegócio nos próximos meses. A avaliação faz parte da edição desta segunda-feira (3) da Análise de Mercado da Prado Agronegócios, que reúne indicadores sobre energia, fertilizantes, grãos e estratégias de manejo para uma safra com maior risco climático.
O levantamento aponta que a volatilidade dos mercados internacionais segue influenciando diretamente a rentabilidade das propriedades rurais. Além do comportamento das commodities, fatores como o conflito no Oriente Médio, a trajetória do dólar e a possibilidade de um El Niño mais intenso exigem planejamento mais criterioso na compra de insumos e na gestão das lavouras.
Petróleo e dólar pressionam custos
Entre os principais pontos de atenção está o petróleo Brent, que permanece em patamar elevado diante das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Segundo a análise, o impacto vai além da energia, alcançando fertilizantes, diesel, fretes e demais custos operacionais do agronegócio. O relatório recomenda acompanhar negociações diplomáticas, movimentações da Opep+, estoques norte-americanos e a evolução das cotações internacionais.
No câmbio, o dólar continua favorecendo a competitividade das exportações brasileiras, mas mantém pressão sobre insumos importados, defensivos, máquinas e equipamentos. A recomendação é monitorar tanto os desdobramentos da política monetária dos Estados Unidos quanto o cenário fiscal brasileiro, fatores que podem alterar rapidamente a taxa de câmbio.
Fertilizantes exigem estratégia de compra
A relação de troca entre café e fertilizantes, utilizada como indicador de custo relativo, mostra cenários distintos entre os principais nutrientes. Enquanto ureia e cloreto de potássio (KCl) apresentam condições consideradas favoráveis em relação à média histórica, o fosfato monoamônico (MAP) permanece próximo do equilíbrio, exigindo maior atenção no momento da aquisição.
O relatório ressalta que a evolução dos preços internacionais dos fertilizantes, do dólar, da oferta global de nutrientes e das condições climáticas continuará determinando as oportunidades de compra ao longo do segundo semestre.
Milho e soja seguem em trajetórias diferentes
No mercado de grãos, a soja permanece altamente sensível às condições climáticas nos Estados Unidos. A melhora recente das lavouras reduziu parte do prêmio climático e provocou realização de lucros nas bolsas, mas a volatilidade continua elevada, mantendo a necessidade de acompanhar diariamente as cotações internacionais, o dólar e os prêmios de exportação.
Para o milho, o cenário é mais sustentado pela demanda. A análise destaca o avanço das exportações brasileiras e a expansão da indústria de etanol de milho como fatores que podem reduzir os estoques finais e dar suporte aos preços durante o restante do ano.
Manejo do solo ganha importância
Diante da maior probabilidade de ocorrência de um El Niño forte a muito forte, a construção do perfil do solo e a calagem passam a ser apontadas como estratégias para aumentar a resiliência das lavouras. O aprofundamento do sistema radicular favorece o aproveitamento de água e nutrientes em camadas mais profundas, reduzindo os efeitos de períodos de estiagem e contribuindo para maior estabilidade produtiva.
Além de corrigir a acidez, a calagem melhora a disponibilidade de nutrientes, reduz a toxicidade por alumínio, favorece a atividade biológica do solo e cria condições para um desenvolvimento radicular mais eficiente. Segundo o estudo, essas práticas deixam de ser apenas recomendações agronômicas e passam a integrar a estratégia de gestão de risco das propriedades diante de um cenário climático mais desafiador.
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