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Etanol ganha espaço na estratégia para descarbonizar navegação

Setor vê potencial para ampliar demanda por biocombustíveis no transporte marítimo

O etanol brasileiro pode abrir uma nova frente de crescimento com a descarbonização do transporte marítimo. O tema foi debatido durante a primeira reunião do Comitê de Bioenergia da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), que reuniu representantes do setor para discutir tendências, avanços regulatórios e oportunidades para ampliar o uso da bioenergia na transição energética global.

Sob a liderança de Jacyr Costa Filho, da Agroadvice/Fiesp, o Comitê iniciou a construção de sua agenda estratégica para o biênio 2026–2027, com foco na competitividade, na expansão dos mercados ligados à bioenergia e no fortalecimento da participação brasileira nesse segmento. Cláudio Oliveira, da Raízen, e Henrique Araújo, da Copersucar, ocupam as vice-presidências do grupo, coordenado por Roberto Araújo, da ABAG.

Henrique Araújo destacou que atualmente mais de 90% da produção brasileira de etanol é destinada ao setor automotivo e afirmou que a abertura de novos mercados será essencial para sustentar o crescimento da demanda. Segundo ele, a adoção de uma mistura de 10% de etanol nos combustíveis marítimos poderia representar um mercado adicional de cerca de 50 bilhões de litros para o biocombustível brasileiro.

Infraestrutura e tecnologia serão decisivas

Cláudio Oliveira ressaltou que a aprovação do Net Zero Framework representa um marco para a descarbonização do transporte marítimo e reforçou a necessidade de preparar a cadeia produtiva para atender ao crescimento esperado da demanda por combustíveis renováveis.

A reunião contou com apresentações de Mário Barbosa, da Wärtsilä, Felipe Cassab, da Aliança Maersk, e Alexandre Alonso, chefe-geral da Embrapa Agroenergia. Barbosa destacou que a transição energética depende da integração entre tecnologia, infraestrutura de abastecimento, adaptação das embarcações e eficiência logística, enquanto Cassab avaliou que o Brasil reúne condições para se consolidar como fornecedor estratégico de combustíveis renováveis para a navegação internacional.

Durante os debates, representantes do setor também apontaram a necessidade de ampliar a infraestrutura portuária para receber embarcações adaptadas aos novos combustíveis. Alexandre Alonso apresentou iniciativas da Embrapa Agroenergia voltadas ao desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e para a navegação, reforçando o papel da pesquisa no avanço da transição energética.

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