Safra 2026/27 começa sob pressão de clima e custos
El Niño e crédito restrito aumentam cautela no campo
A abertura da safra brasileira de soja 2026/27 ocorre em meio à atenção com o clima, preços mais firmes de algumas commodities e restrições financeiras no campo. A avaliação é da Prado Agronegócios, em análise de mercado divulgada nesta segunda-feira (31) pelo #CafécomPrado.
Com o encerramento gradual do vazio sanitário nos principais Estados produtores, a semeadura começa a ser liberada em setembro, mas o avanço das máquinas dependerá da umidade do solo e da regularização das chuvas. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás terão o plantio autorizado a partir de 7, 16 e 25 de setembro, respectivamente.
No Paraná e em São Paulo, as datas variam conforme a região. Os cinco Estados concentram 62% da área brasileira cultivada com soja. A Prado ressalta que o fim do vazio sanitário autoriza a semeadura, mas não significa plantio imediato, já que as condições de campo continuam determinantes.
Nos últimos cinco dias de agosto, as chuvas ficaram concentradas principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Para o início de setembro, as previsões apontam novas precipitações em parte do país.
El Niño ganha força para a nova safra
O El Niño também ganhou peso nas avaliações para o ciclo 2026/27. Segundo a Prado Agronegócios, as atualizações dos modelos climáticos elevaram a probabilidade de ocorrência do fenômeno e indicam possibilidade de maior intensidade, com pico projetado entre outubro e dezembro.
No mercado, a soja apresentou recuperação nas últimas semanas. O indicador Cepea/Esalq em Paranaguá acumulava valorização próxima de 8% em 30 dias. Em Chicago, os contratos para março de 2027 estavam ao redor de US$ 13,06 por bushel, patamar que, na avaliação da consultoria, volta a abrir oportunidades para proteção de parte da próxima safra.
O milho também registrou preços mais firmes no mercado doméstico, enquanto os contratos para maio de 2027 em Chicago estavam próximos de US$ 5,55 por bushel. No trigo, o aumento das tensões no Mar Negro elevou o prêmio de risco e levou os contratos de setembro de 2026 e maio de 2027 às máximas em três anos.
A análise do #CafécomPrado também destaca a volatilidade do câmbio. O dólar encerrou a última semana de agosto em R$ 5,20, alta de 0,8%, depois de oscilar entre R$ 5,14 e R$ 5,23. A moeda mais valorizada favorece os preços das commodities em reais, mas mantém pressionados os custos de insumos importados.
Soja lidera avanço das exportações
Nas exportações, as projeções reunidas pela Prado apontam crescimento dos embarques de soja e farelo neste ano. A estimativa para a soja é de 115,45 milhões de toneladas, avanço de 6,2% sobre as 108,68 milhões de toneladas registradas em 2025. Para o farelo, são esperadas 25,40 milhões de toneladas, alta de 10,1%.
O milho segue em direção oposta, com previsão de 39,19 milhões de toneladas, redução de 5,8% em relação ao ano passado. Os números apresentados no relatório têm como base dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
Produtos que vêm ganhando espaço na pauta externa também aparecem no levantamento. As exportações de DDG são projetadas em 1,10 milhão de toneladas em 2026, crescimento de 38,1%. No sorgo, foram registrados embarques de 380 mil toneladas no ano, dos quais 344,9 mil toneladas concentrados em agosto.
Crédito reduz compras de fertilizantes
A Prado Agronegócios chama atenção ainda para a retração no mercado de fertilizantes. O consumo brasileiro é estimado em 45,31 milhões de toneladas em 2026, queda de 7,6% em relação às 49,05 milhões de toneladas do ano passado. No mercado de nutrientes, o volume deve recuar de 20,6 milhões para 19,2 milhões de toneladas.
Na soja, o consumo projetado passa de 20,7 milhões para 19,5 milhões de toneladas. Cerca de 15% da demanda da cultura ainda não havia sido comercializada e aproximadamente 3 milhões de toneladas permaneciam em aberto em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo. A restrição de crédito é apontada como um dos principais fatores para o atraso das compras.
A redução do uso de fertilizantes também alcança outros cultivos. No levantamento, o consumo destinado à cana-de-açúcar recua de 5,4 milhões para 4,9 milhões de toneladas. Milho, algodão, café e trigo também apresentam diminuição na comparação entre 2025 e 2026.
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