Mercado de açúcar dos EUA desacelera com foco em contratos vigentes
Compradores evitam novos negócios enquanto tarifas seguem no radar
O mercado de açúcar dos Estados Unidos manteve baixa movimentação nas últimas semanas, refletindo a cautela dos compradores diante das incertezas sobre a demanda e da possibilidade de mudanças na política comercial do país. Segundo publicação da Czarnikow, com base em informações da Sosland Publishing, os preços permaneceram estáveis, enquanto a maior parte das negociações continuou concentrada nos contratos já firmados para a safra 2025/26.
A estratégia predominante entre os compradores foi consumir os volumes remanescentes dos contratos atuais antes de assumir novos compromissos. Ao mesmo tempo, parte dos vendedores restringiu as ofertas no mercado à vista e direcionou seus esforços para reservas da safra 2026/27, reduzindo ainda mais a liquidez das negociações.
Tarifas seguem no centro das atenções
Apesar da lentidão dos negócios, o mercado acompanha de perto a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão avalia, por meio da Seção 301, se determinados países ampliaram artificialmente a produção de commodities em razão de subsídios governamentais, o que poderá resultar na adoção de medidas comerciais adicionais.
Embora o açúcar não estivesse inicialmente entre os produtos analisados, representantes da indústria e do governo norte-americano defendem sua inclusão no processo. Rumores sobre a possibilidade de novas tarifas, estimadas em até 10 centavos de dólar por libra para o açúcar bruto e 20 centavos de dólar por libra para o refinado, estimularam compras pontuais como forma de antecipar eventuais aumentos de custos.
Safras apresentam desempenho desigual
No campo, as condições das lavouras variaram entre os principais estados produtores de beterraba sacarina. O Colorado apresentou recuperação em relação à semana anterior, com 28% das áreas classificadas entre boas e excelentes, embora o índice permaneça bem abaixo dos 75% registrados no mesmo período do ano passado, após impactos provocados por nevascas na primavera e oscilações acentuadas de temperatura.
Nos demais estados, as avaliações seguiram mais favoráveis, com índices de 82% em Minnesota, 77% em Dakota do Norte, 80% em Idaho, 66% em Michigan e 70% em Wyoming. Já a cana-de-açúcar da Louisiana alcançou classificação de 66% entre boa e excelente, um ponto percentual acima da semana anterior, mas inferior aos 75% observados no mesmo período de 2025. A expectativa do mercado é que o USTR conclua a investigação e apresente eventuais medidas corretivas até o fim de julho.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: