Grupo Pedra reduz custos ao ampliar escala da irrigação
Mais carretéis e eletrificação mudam estrutura de gastos da operação
A ampliação do número de carretéis por frente e o avanço da eletrificação estão entre as estratégias adotadas pelo Grupo Pedra para reduzir os custos da irrigação de salvamento. A experiência apresentada por Lucas Farsoni Gallo, especialista de irrigação da companhia, durante o Irrigacana 2026, realizado nesta quarta e quinta-feira (9 e 10), em Ribeirão Preto – SP, mostra que os ganhos dependem tanto da operação no campo quanto das decisões tomadas ainda na elaboração dos projetos.
O grupo reúne quatro unidades produtoras, a Usina da Pedra, em Serrana – SP, a Usina Ipê, em Nova Independência – SP, a Usina Buriti, em Buritizal – SP, e a Usina Cedro, em Paranaíba – MS. Para a safra 2026/27, a companhia projeta moagem de cerca de 14,2 milhões de toneladas. A escala das operações tem acompanhado mudanças no dimensionamento e na condução dos sistemas de irrigação.
Segundo Gallo, os custos fixos representam 41% do total da irrigação de salvamento nas unidades e incluem montagem de tubulações, mecanização e mão de obra rural. Os custos variáveis, ligados principalmente à energia e à água aplicada, respondem por 24%, enquanto manutenção e prestação de serviços somam os 35% restantes.
A composição levou a empresa a buscar maior aproveitamento da estrutura disponível. “Aumentar o número de carretéis por frente é o melhor caminho que a gente enxergou para otimizar o custo da operação”, afirmou. A estratégia permite distribuir gastos com máquinas, equipes e montagem por uma capacidade maior de aplicação.
Projetos ganham escala
A evolução ocorreu gradualmente. Em uma configuração considerada anteriormente como referência, a operação trabalhava com vazão de 240 metros cúbicos por hora, dois carretéis por frente e tubulações de oito polegadas. O grupo avançou posteriormente para quatro carretéis, vazão de 440 metros cúbicos por hora e tubulações de dez polegadas.
O próximo estágio já envolve sistemas capazes de trabalhar com seis carretéis simultaneamente e motobombas com vazão de 660 metros cúbicos por hora. Em estruturas mais recentes, como na Usina Cedro, projetos permitem a operação de até oito carretéis ao mesmo tempo.
Segundo Gallo, a mudança exige que o dimensionamento das adutoras considere não apenas a demanda atual, mas também futuras expansões. “O aprendizado não está apenas na operação, ele está também no projeto. O projeto é fundamental para que a operação possa exercer todo aquele rendimento que a gente planejou no papel”, disse.
Um dos resultados apresentados veio da ampliação da capacidade das frentes. Na comparação entre sistemas, o consumo total de diesel por hectare, considerando recalque, caiu 24%. A mudança permitiu substituir conjuntos menores por equipamentos de maior capacidade para atender simultaneamente mais carretéis.
Eletrificação amplia economia
Outra frente de redução de gastos está na substituição do diesel pela energia elétrica cogerada nas próprias unidades. Na Usina Cedro, o grupo possui aproximadamente 104 quilômetros de rede, que alcançam 1.061 hectares de irrigação deficitária e 9.535 hectares de salvamento.
No modelo com eletrobomba móvel, adutora fixa e ramais móveis, a redução do custo operacional chegou a 53% em relação à estrutura movida a diesel. O cálculo apresentado, porém, não considera o custo de oportunidade da energia elétrica que deixa de ser exportada para o sistema.
Na Usina da Pedra, onde a rede está próxima à indústria e não há necessidade de montagem de tubulações durante a operação, a redução chegou a 67%. A diferença em relação à Cedro está principalmente no custo de montagem eliminado pela configuração fixa.
A experiência também alterou a forma como a companhia planeja a irrigação. A lâmina usada para dimensionar equipamentos, equipes e orçamento não é necessariamente aquela que será aplicada no campo. A decisão operacional considera a água disponível no perfil do solo e as condições observadas em cada talhão.
A faixa adotada pelo grupo prevê que, abaixo de aproximadamente 15 milímetros, a irrigação não seja realizada. Entre cerca de 15 e 60 milímetros está a faixa de operação, enquanto volumes superiores levam à decisão de não aplicar o excedente. Em períodos mais chuvosos, portanto, a lâmina realizada pode ficar abaixo do planejamento sem representar falha operacional.
Para os próximos projetos, o Grupo Pedra também trabalha com a combinação de água bruta, água residuária e vinhaça em um mesmo sistema. A proposta é ampliar a área atendida e reduzir problemas de selamento superficial e infiltração associados a grandes aplicações de vinhaça.
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