Genética e planejamento elevam produtividade dos canaviais
CTC e Atvos mostram como variedades, dados e manejo ampliam resultados no campo
A busca por maior produtividade ganhou peso no setor sucroenergético diante de eventos climáticos extremos, pressão sobre margens e necessidade de elevar a eficiência no campo. Nesse cenário, genética e planejamento varietal aparecem como ferramentas para aumentar a produção por hectare e melhorar o aproveitamento do potencial dos canaviais.
O tema foi discutido durante o 20º Grande Encontro sobre Variedades de Cana-de-Açúcar & Novas Técnicas de Fertilização, realizado nos dias 2 e 3 de setembro, em Ribeirão Preto – SP. Durante o evento, CTC e Atvos apresentaram estratégias que combinam novas variedades, dados e decisões agronômicas para elevar o desempenho agrícola.
Para o CTC, o aumento da produção por hectare é uma das variáveis que podem ser trabalhadas diretamente pelo produtor para diluir custos fixos e melhorar a rentabilidade. O resultado, porém, depende da combinação da genética com manejo, sementes, biotecnologia e suporte técnico.
“Genética sozinha não ganha jogo. Ela define o potencial produtivo, mas o manejo otimizado transforma esse potencial em ganho real”, afirma Henrique D’Avila, gerente de Desenvolvimento de Mercado do CTC.
Ganho genético avança com uso de dados
A incorporação de dados, ciência e inteligência artificial ao programa de melhoramento do CTC elevou, segundo a empresa, o ganho genético de 0,4% para 3,3% ao ano. O processo resultou em uma nova geração de materiais desenvolvidos para diferentes condições de produção.
Entre eles está a CTCAdvana1, lançada em 2025 e adotada por mais de 260 clientes no primeiro ano. Nos dados apresentados durante o encontro, a variedade registrou 95% de vitórias nas comparações realizadas, ganho de 2,1 toneladas de açúcar por hectare e desempenho 16% superior aos padrões considerados pelo CTC.
Para ambientes restritivos, a empresa apresentou a CTCAdvana2, lançada neste ano. O material registra 87% de vitórias nas avaliações divulgadas e reúne características relacionadas à produtividade, sanidade, colheitabilidade, flexibilidade de colheita e ATR competitivo.
A aplicação do planejamento varietal em escala comercial foi apresentada pela Atvos. A companhia utiliza informações agronômicas e histórico de desempenho dentro de seu Plano Diretor, que integra manejo, irrigação, variedades e ações para reduzir o pisoteio dos canaviais.
Atvos projeta avanço de produtividade até 2031
A estratégia estabelece para 2031 a meta de elevar em 17% a produção de açúcar por hectare e em 16,6% a produtividade agrícola medida em toneladas de cana por hectare. O plano também prevê redução de 38% no Índice de Concentração Varietal e retorno de 4,7 vezes sobre os investimentos previstos em variedades.
Uma das ferramentas utilizadas nesse processo é o Censo Ideal, que cruza o histórico das variedades com ambiente de produção, desempenho observado no campo e conhecimento das equipes. As informações orientam as decisões de plantio e os ajustes na composição varietal dos canaviais.
“Escolher a variedade certa é uma condição necessária, mas não é uma condição suficiente. O Censo Ideal foi construído olhando para o futuro, mas começando pelo campo”, afirma Dorivan Rios, especialista de Variedades da Atvos.
Segundo ele, o trabalho não se limita à distribuição dos materiais nas áreas de produção. “No final, não construímos apenas uma distribuição de variedades. Construímos uma direção para o canavial que a Atvos quer ter”.
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