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Fim do vazio sanitário abre plantio da soja 2026/27

Semeadura começa por etapas e avanço dependerá das chuvas

O fim do vazio sanitário marca a abertura do plantio da soja 2026/27 nas principais regiões produtoras do país, mas a liberação do calendário não significa início imediato dos trabalhos. A entrada das máquinas nas lavouras dependerá da umidade do solo e da regularização das chuvas, condições necessárias para a germinação e o estabelecimento das plantas.

O calendário começa por Mato Grosso, com plantio liberado a partir de 7 de setembro, seguido por Mato Grosso do Sul, em 16 de setembro, e Goiás, em 25 de setembro. Paraná e São Paulo adotam datas distintas conforme a região. Segundo levantamento da Prado Agronegócios, os Estados apresentados concentram 62% da área cultivada com soja no Brasil.

Em São Paulo, a semeadura começa em 1º de setembro na Região I, 13 de setembro na Região II e 16 de setembro na Região III. No Paraná, o calendário também varia conforme a localização, com início em 1º, 11 e 20 de setembro. As janelas seguem os períodos oficiais estabelecidos para cada área.

Clima condiciona avanço da semeadura

A condição climática será determinante para definir o ritmo do plantio. O levantamento aponta ocorrência recente de chuvas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, enquanto produtores acompanham as previsões para definir o momento de iniciar a implantação da nova safra.

Outro ponto de atenção é a perspectiva de El Niño durante o ciclo 2026/27. A atualização apresentada no relatório indica fortalecimento do fenômeno ao longo do segundo semestre, com pico projetado entre outubro e dezembro. O cenário reforça a necessidade de acompanhamento das condições climáticas durante a instalação e o desenvolvimento das lavouras.

As condições para o início da safra também entram nas decisões comerciais. Além do momento de semear, produtores acompanham custos, disponibilidade de insumos, crédito e oportunidades para proteção de preços.

Preços mais firmes favorecem decisões comerciais

No mercado da soja, a análise aponta preços mais firmes. No disponível em Paranaguá, as cotações de 2026 estão acima dos níveis observados em 2025, enquanto o contrato de março de 2027 em Chicago aparece como referência para proteção de parte da próxima safra.

O milho também apresenta preços mais sustentados no mercado físico e referências futuras para o planejamento. O relatório aponta que a recuperação das cotações pode ajudar na organização do caixa e na redução da exposição antes da entrada da segunda safra de 2027.

No trigo, a volatilidade aumentou diante dos riscos relacionados ao Mar Negro. Já o dólar encerrou a semana analisada em R$ 5,20, alta de 0,8%, enquanto o petróleo permaneceu sujeito a oscilações provocadas por fatores geopolíticos, negociações internacionais e movimentos de oferta e estoques.

Fertilizantes pressionam planejamento da safra

O mercado de fertilizantes também exige atenção. A análise estima que cerca de 15% da demanda de soja ainda não havia sido comercializada e aproximadamente 3 milhões de toneladas permaneciam pendentes de compra em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

A estimativa aponta redução do consumo de fertilizantes no país, de 49,05 milhões de toneladas em 2025 para 45,31 milhões em 2026, queda de 7,6%. Em nutrientes, o volume projetado recua de 20,6 milhões para 19,2 milhões de toneladas. A restrição de crédito está entre os fatores associados ao atraso das compras e à menor aplicação.

Na soja, o consumo estimado passa de 20,7 milhões para 19,5 milhões de toneladas. Segundo a análise, a redução das doses pode aliviar o caixa no curto prazo, mas aumenta o risco agronômico caso seja mantida, principalmente pela possibilidade de perda gradual da fertilidade construída no solo.

O cenário ocorre em um momento de menor capacidade de investimento de parte dos produtores. A análise aponta deterioração das margens e avanço da relação entre dívida e Ebitda nos últimos ciclos, reforçando a diferença entre propriedades mais alavancadas e aquelas com maior equilíbrio financeiro.

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