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Eficiência energética ganha peso na irrigação da cana

Projeto e manejo podem reduzir custos de água e energia no campo

O avanço da irrigação na cana-de-açúcar tem colocado o consumo de energia entre os fatores considerados no planejamento e no manejo dos sistemas. A combinação entre dimensionamento dos equipamentos, aplicação de água e acompanhamento de dados pode reduzir custos e melhorar o desempenho das lavouras irrigadas.

O tema esteve entre os destaques do 7º Seminário Brasileiro de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-Açúcar, o IRRIGACANA, realizado nos dias 9 e 10 de setembro, em Ribeirão Preto – SP. Promovido pelo Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-Açúcar (GIFC), o encontro reuniu cerca de 700 participantes, entre produtores, representantes de usinas, pesquisadores, especialistas e empresas do setor sucroenergético.

Durante a programação, Saulo Gare Ginak, gerente de Produto e Marketing da Valmont Brasil, mostrou como decisões tomadas ainda na fase de projeto podem influenciar o consumo de energia ao longo da operação. Pressão de funcionamento, dimensionamento hidráulico, seleção de componentes e características da área estão entre os fatores que interferem na eficiência.

“É preciso olhar para o sistema como um todo. Um projeto corretamente dimensionado evita carregar ineficiências durante anos de operação, mas isso precisa estar associado a um manejo adequado, monitoramento e uso de tecnologia. Engenharia, agronomia e gestão precisam trabalhar juntas”, afirmou.

Dados orientam aplicação de água

Depois da instalação, o manejo passa a ter peso na eficiência do sistema. Informações sobre solo, equipamento, evapotranspiração, chuva e condições atmosféricas ajudam a definir quando irrigar e qual volume aplicar, reduzindo a dependência de decisões baseadas apenas na observação de campo.

O acompanhamento também permite verificar se o equipamento trabalha dentro dos parâmetros previstos. Pressão do sistema, amperagem da bomba e uniformidade da aplicação estão entre os indicadores utilizados para identificar se a lavoura recebe a lâmina necessária nas condições adequadas.

Na estratégia apresentada, o balanço hídrico para a cana considera lâminas entre 300 e 600 milímetros por ano, ajustadas às condições de cada região. Dados da gestão de irrigação apresentados pela empresa apontam potencial de economia de água de até 20% e de energia de até 30%, além de ganhos relacionados à produtividade e à rentabilidade.

O custo da energia também exige atenção aos horários de operação e às condições contratadas. Em um dos casos apresentados, a análise identificou gastos no horário de ponta e com energia reativa, com potencial de economia de aproximadamente R$ 150 mil após ajustes na gestão.

Produtividade acompanha estratégia de manejo

Outro caso apresentado mostrou uma área de cana irrigada acompanhada durante oito cortes, com produtividade média de 137 toneladas por hectare. O levantamento relaciona o desempenho da lavoura à precipitação, à lâmina aplicada, ao déficit hídrico e à duração dos ciclos.

No primeiro ciclo apresentado, a produtividade chegou a 152 toneladas por hectare. No oitavo corte, ficou em 128,53 toneladas por hectare. O histórico permite acompanhar a resposta da cultura ao longo dos anos e ajustar a estratégia de irrigação às condições observadas em cada safra. Para Ginak, a análise econômica precisa considerar não apenas o investimento inicial, mas todo o período de funcionamento do sistema. “Não basta avaliar quanto o equipamento custa para ser instalado. É necessário considerar como ele vai operar durante toda a sua vida útil. Pequenas diferenças de eficiência, quando multiplicadas por milhares de horas de funcionamento, podem representar impactos relevantes no custo de produção”.

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